A disputa entre André e Zeca
O governador de Mato Grosso do Sul, André Puccinelli, apesar da euforia inicial de alguns petistas, é um adversário muito difícil de ser batido.
As últimas pesquisas demonstram que, ao contrário do que muitos petistas imaginavam, Zeca não está tão bem assim...
Está distante de André e tem um índice de rejeição bem maior.
Portanto, não obstante toda a eloqüência e destemor do ex-governador, uma parada difícil, onde o favoritismo é todo do atual governador.
Some-se a isso, o atual quadro político, que coloca o Partido dos Trabalhadores numa situação delicada, com o visível declínio da pré-candidata Dilma Roussef, que começa a ganhar uma fama extremamente incômoda: mentirosa.
Puccinelli e seus adversários
Puccinelli sabe ser implacável com seus inimigos. Sabe usar as armas que tem para aniquilar.
Sabe também bater e depois afagar, se for o caso e se for conveniente.
Faz política profissional.
Sabe ser dissimulado, quando necessário.
E tem uma equipe competente e de sua extrema confiança, o que em política é fundamental.
Puccinelli Prefeito
Em Campo Grande, como chefe do executivo municipal, André Puccinelli governou durante oito anos sem praticamente ter oposição.
No primeiro mandato, apenas uma voz se insurgia com mais veemência. O então vereador Athayde Nery de Freitas Junior.
Athayde não conseguiu se reeleger e só voltou ao cenário político convertido ao “andrezismo”, a ponto do governador afirmar a alguns amigos: “No PPS (partido de Athayde) eu mando”.
Um outro vereador, também ousou se insurgir contra André Puccinelli: César Disney.
Eleito pelo PSDB, o então braço direito de Waldir Neves, hoje conselheiro do TCE, teria visto na possibilidade de atacar Puccinelli, um meio de melhorar de vida.
Teve sua carreira política simplesmente defenestrada.
Por coincidência, na época do embate, foi pego em flagrante em práticas sexuais com menores de idade, foi preso e depois cassado.
Mais tarde, destruído, entrou em depressão até ser acometido por um câncer.
Puccinelli Versus Antonio João
O ex-proprietário de um dos maiores grupos de comunicação da região Centro Oeste, o jornalista e suplente de senador Antonio João Hugo Rodrigues, também ousou se apresentar como adversário de Puccinelli.
Atualmente, o poderio empresarial de Rodrigues está reduzido a um pequeno numero de cotas do jornal Correio do Estado.
Na briga perdeu ainda o controle de duas emissoras de televisão e de algumas rádios.
O Grande Adversário
Mas talvez, nenhum destes tenha sido o adversário mais difícil enfrentado por André Puccinelli.
Um deputado eleito em 2002 pelo PT, Semy Ferraz, homem que, como André, é extremamente ligado em pesquisas, organizado e inteligente, ainda hoje é uma enorme pedra no caminho do “italiano”.
Em 2006, candidato a reeleição, tida como certa, Semy, a véspera do pleito, teve um suposto veiculo da sua campanha apreendido com santinhos grampeados a cédulas de vinte reais.
O fato teve enorme repercussão e Semy acabou perdendo a eleição.
André venceu o primeiro round.
O Segundo Round
O ex-deputado foi buscar recuperação lá no Acre, onde, competente, foi convidado para ocupar um cargo na administração petista daquele estado.
Mesmo assim deu inicio ao segundo round, tentando provar na Justiça sua inocência com relação ao episódio mencionado que acabou lhe valendo a derrota eleitoral.
Semy foi inocentado e, pior, baseado em escuta telefônica autorizada pela Justiça, onde a voz do governador Puccinelli teria sido identificada como mandante daquilo que teria sido uma armação para incrimina-lo, já entrou com representação criminal contra o governador e seu filho, André Junior, que teria sido a pessoa encarregada de operacionalizar a maldade...
O Próximo Embate
Atualmente, diretor da empresa de águas do Acre, Semy Ferraz está próximo da ex-ministra Marina Silva.
Com a ida de Marina para o PV, já existe toda uma movimentação no sentido de fazer Semy o “candidato verde” de Mato Grosso do Sul.
Bem articulado, vitima de André e com decisões judiciais na mão, o ex-parlamentar pode ser embalado por uma “onda Marina” e se constituir numa grande surpresa eleitoral.
Vamos aguardar.
Millôr de Morais