Homens e mulheres aguardam o último beijo da novela das nove

Cenas corriqueiras nas novelas são os beijos entre seus protagonistas, e geralmente muitos capítulos terminam com beijos calientes entre personagens saídos da imaginação de seus autores.

Do lado de fora da telinha geralmente mulheres suspiram envolvidas na trama de tal forma que viajam no tempo recordando algum lugar do seu passado onde esta cena já foi vivida em carne e osso por elas.

Quando sobe as letrinhas no final do capítulo, em muitas casas inicia-se a troca de expectadores. Saem dos sofás e poltronas as enamoradas de seus passados românticos e sentam em seus lugares maridos, namorados, irmãos ou qualquer marmanjo que passou o dia discutindo com amigos e também amantes do futebol (e que seja somente do futebol), afinal é noite de jogo de futebol de algum campeonato neste imenso brasil.

São exatamente 22 h (horário de brasília), sim no Brasil se joga futebol às 22 h, caso único no planeta terra. Em total desrespeito aos torcedores.

E quando é disputado o jogo de uma final de campeonato, caso haja empate, prorrogação e pênaltis, a possibilidade do torcedor sair do estádio à 01 h da manhã do dia seguinte é tão certo quanto um mais um ser igual a dois.

Em metrópoles como São Paulo, Rio, Belo Horizonte, Curitiba e Porto Alegre o sofrimento que une vitoriosos e derrotados pode se prolongar até às 3 h ou às 4 h da manhã, quando finalmente chegam em suas casas e dentro de duas horas muitos já estarão em pé para irem ao trabalho.

Mais uma cena de total falta de respeito ao povo de um país onde a maioria só tem no esporte bretão sua hora de diversão e desafogo do stress do dia a dia.

Já houve caso de Câmaras de Vereadores de algumas cidades colocarem em pauta de discussão a mudança de horário dos jogos que são realizados próximos à virada do dia.

Mas como em um passe de mágica estilo bruxinho Harry Porter são retiradas e o torcedor brasileiro continua sem alguém para defender seu direito de ter um horário mais humano para poder ir ao estádio e assistir aos jogos de seu time.

Os sindicatos de jogadores reclamam, torcedores reclamam, profissionais da área esportiva reclamam sem que nada mude, anos após anos.

Porém um grito de revolta começa a se ouvir no ar. E não poderia vir de outro lugar senão das arquibancadas. Senão das gargantas dos torcedores que trocaram o grito de gol pelo grito de “JOGO ÀS 10 DA NOITE NÃO”.

O grupo Futebol, Mídia e Democracia, lançou uma campanha em Porto Alegre na semana passada que teve adesão imediata em Belo Horizonte, primeiramente no Beira-Rio e em seguida no Mineirão.

E já está rolando um vídeo da campanha:

https://www.facebook.com/1920840968140548/videos/1926420174249294/

É um ato de coragem de um povo que resolveu gritar pelos seus direitos, porque deixaram de acreditar nas “instituições” criadas para sua defesa, pois quem manda no futebol é a Globo, obedece quem tem juízo, o dia que ela parar de transmitir os jogos os clubes irão a falência.

Abandonemos a passividade, 22h, covardia com o torcedor. 11h, covardia com jogadores e árbitros. 16h no horário de verão, também covardia com jogadores e árbitros.

Desta vez, torcidas antes adversárias agora unidas por uma só causa, a causa do resgate do bom senso e da dignidade do torcedor brasileiro (a).

Aquiles Arminio Lins

*Em Curitiba, esperando o início do jogo entre Atlético PR x Brasília pela Copa do Brasil, às 22 h


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