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O assassinato do jornalista Valério Luiz: No futebol... nem tudo é futebol (I)

Por Aquiles Armínio Lins


O que aconteceria se o clube pelo qual você torce e está na Série C do campeonato brasileiro, conseguisse acesso à série B e no ano seguinte chega ao olimpo do futebol, a tão desejada Série A? 

A Série A é frequentada pelos maiores clubes do país, onde seus atletas são tratados como estrelas de primeira grandeza. E a partir desta grande conquista você, na sua cidade, passa a ter o direito de assistir as maiores equipes do país ao vivo e a cores diante de seus olhos. 

Antes jogadores que você assistia somente pela televisão e reportagens de jornais, agora desfilam sua arte futebolística no tapete verde do estádio de sua cidade. Jogadores que jogaram Copas do Mundo, Libertadores, Champions League Europe e outros torneios mais famosos estão ali bem perto de você com a possibilidade de saírem envergonhados e humilhados por uma derrota causada pelo seu time de coração, o time que representa a sua cidade. 

Com certeza, para muitos, cujos times estão nas séries B, C ou D, esta hipótese é tão confortadora quanto a operação LAVA JATO chegar ao seu intento final e livrar o país dos sanguessugas do dinheiro público. Para mim o mais exato é chamá-lo de dinheiro do povo. Qual torcedor não sonharia com tal estado nirvanico em sua alma? Quanto orgulho, quanta honra em vestir a camisa de seu time de coração como o manto dos mantos sagrados. E finalmente soltar a garganta: “agora sim, somos time de Série A”. 

Mas para uma pessoa que viu pessoalmente isto acontecer com seu clube, tudo isto teve mais significado de decepção e vergonha na cara do que exaltação. Seu nome, Valério Luiz, comentarista de futebol das 12h00 às 14h00 na Rádio Jornal 820 AM, atual Rádio Bandeirantes na cidade de Goiânia GO. Era conhecido como “o mais polêmico do rádio” por não medir palavras nas ácidas críticas que dirigia às gestões dos cartolas goianos; citava nomes e fatos concretos, fugindo dos comentários genéricos adotados por outros profissionais. 

Em 2007, escalado pela TV Brasil Central de Goiânia para narrar no Piauí o jogo entre Atlético GO x Barras, valendo a classificação ao quadrangular final do Campeonato Brasileiro da Série C, hospedou-se no mesmo hotel que a delegação rubro-negra de Goiânia, onde acabou descobrindo uma tentativa de compra da partida por parte de dirigentes atleticanos. 

Em 2009, também denunciou o uso de drogas por alguns jogadores nas dependências do clube. Foi processado. Quem compareceu à audiência foi Maurício Sampaio, dirigente acusado por Valério da tentativa de compra do jogo no Piauí em 2007, mas a ação judicial não seguiu adiante. Em 2012, com críticas mais acintosas aos dirigentes do futebol goiano, em uma emboscada, na saída da rádio em que trabalhava, Valério pagou com sua própria vida por um futebol mais honesto, por um futebol sem propinas antes das partidas e por um futebol onde as equipes pudessem realmente subir de uma série a outra somente com a raça, suor e arte de seus jogadores. “O Atlético está na série A, mas não é time de série A, não”, repetia sempre em seus programas. 

Após meses de investigações irão a júri popular os policiais militares Ademá Figueredo Aguiar Filho e Djalma Gomes da Silva, o motorista Urbano de Carvalho Malta e o açougueiro Marcus Vinícius Pereira Xavier, o Marquinhos e além destes, pasmem senhores torcedores, o principal acusado pelo jornalista Valério Luiz de tentar comprar o jogo no Piauí, o ex-dirigente Maurício Sampaio como mandante do crime. Hoje, após três prisões e três Habeas Corpus, o dirigente, fiquem mais pasmados ainda torcedor, é o atual presidente do Clube Atlético Goianiense, o Dragão de Campinas – o bairro mais antigo de Goiânia, precedente, aliás, à construção da capital. 

Jornalistas mortos por denunciarem injustiças no país, tornou-se coisas de Brasil. Coisas também do futebol brasileiro. Na decisão, o juiz disse que, analisando as provas do processo policial, ficou comprovada a existência de "indícios suficientes" da autoria do crime. Ainda segundo o juiz, embora a defesa dos acusados negue que os cinco acusados tenham cometido o crime, não conseguiram reunir elementos suficientes para evitar que fossem sentenciados ao julgamento por populares. 

Seu filho, Valério Luiz Filho que luta por justiça não somente no futebol brasileiro, mas em toda a sociedade desabafa: “O trabalho do meu pai seria só comentar futebol, se esse fosse apenas futebol. Acontece que não é. Os clubes se transformaram em verdadeiras máfias”. Infelizmente no futebol... nem tudo é futebol. 

Aquiles Armínio Lins 

fontes: G1.com

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Veja o vídeo com matéria sobre o assassinato: