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Suicídio não é saída...

Por João Henrique de Miranda Sá


Olá!

Você sabe o que é um 'tabu'?

São chamados 'tabus', entre outras coisas, assuntos, temas, que por sua natureza, constrangem quando tratados em sociedade.

Ocorre que o constrangimento sempre é fruto da incapacidade de lidar sincera e abertamente do tema em questão. A dor imensa de uns, a vergonha de outros, questões religiosas e inclusive legais, conduzem o tema à obscuridade.

O peso do tabu é tamanho, que devido à desinformação gerada pelo silêncio, nascem os mitos.

Alimentando os mitos que envolvem o suicídio, potencializamos a ascensão dos índices de atentados contra a própria vida, fracassados ou levados a cabo.

O suicídio é o desfecho trágico de um longo processo.

Sabemos, basta observar atentamente fatos que precedem o ato desesperado de um suicida, que ele não pretende morrer de fato. Mas fugir de um problema para o qual não encontrou solução. Ter clareza sobre este simples dado, pode ser transformador pra muitas pessoas, famílias, países... para todo o mundo.

Classificar as vítimas de suicídio de “fracos” é recurso de gente mal informada e preguiçosa.

Mal informada porque isso não é verdade. E preguiçosa porque não são necessárias grandes pesquisas para que tenhamos acesso a diversos fatores causais que esclarecem tal processo. O suicídio, invariavelmente é o fato culminante e trágico de um processo mais ou menos longo.

A depressão é classificada pela Organização Mundial de Saúde como “O Mal do Século”. Segundo a instituição, hoje, um terço da população mundial padece do mal, muitos dos quais sem que tenham sido diagnosticados, isso é: ainda não sabem que estão doentes.

Um sem número de agentes pode desencadear a depressão:

Uso e abuso de drogas e álcool;

Incompreensão do mundo que o cerca e de si próprio;

No ambiente de trabalho o assédio moral bem como funções demasiado estressantes exercidas por longos períodos;

Luto não superado;

Convívio irremediável com pessoas nocivas;

A impotência diante do que não podemos mudar;

Muitos outros fatores podem desencadear o processo de embotamento da percepção da realidade tal qual ela é. Aí está um dos fatores que deve ser identificado, combatido e mostrado pra quem sofre.

Quem pensa em dar cabo da própria vida, sempre dá sinais de sua intenção, seja num comentário sutil que traz a ideia nas entrelinhas, seja em ameaças com pinta de chantagem emocional. O suicida sempre comunica sua intenção, nem que seja por atos falhos, inconscientemente.

Nunca negligencie comunicado ou sinalização neste sentido. Tome providências, certamente não se trata de “aconselhar” a pessoa. Ela deve ser encaminhada a um profissional competente pra que se faça uma avaliação técnica.

Até aqui tratamos do suicídio com ato pensado, impulsivo ou desesperado, deliberado de alguma forma, que seja.

Pouca gente se dá conta de que estamos cercados de pessoas que adotaram no cotidiano diário, conduta suicida. É! Isso existe sim.

Podemos exemplificar algumas condutas suicidas muito comuns: conduzir veículo estando embriagado; a impulsividade, grosso modo, expõe a pessoa a riscos desnecessários; a displicência no tratamento de doenças que podem matar, como o diabético que consome açúcar; o tabagismo; toda forma de exagero ou desequilíbrio alimentar, e por aí vai.

O suicídio involuntário não difere em nada, do ponto de vista humano, como fruto e parte da Natureza, do suicídio deliberado. Isso quer dizer que as consequências de ambos são idênticas.

Ambos abreviaram uma vida que deveria proporcionar, no mínimo, mais experiências, e logo, mais conhecimento; o suicida imprime a dor pela perda prematura aos que lhe amam, deixa para trás a indignação de quem o ama e não é capaz de compreender como se dá o processo, fixando-se apenas no ato, o que revolta.

As questões individuais, profissionais, afetivas, sociais, ou seja, lá qual for a natureza da questão que nos aflige e se apresenta como um obstáculo intransponível, deve ser resolvida aqui e agora.

“Sair de cena” só nos impede de resolver as questões, nos obriga a protelar pra sabe-se lá quando ou onde e em que condições deveremos resolve-las. O fato é que todas as questões humanas devem ser resolvidas em vida. Não há outro meio.

É isso, justamente isso, que justifica o viver.

Lembre-se, aonde quer que você vá, seus problemas lhe acompanharão; é claro, até que você os encare e os resolva.

Recomendo que comece pedindo ajuda a alguém que confie.

Viva...

Simplesmente, viva!

Um amigo.

João Henrique de Miranda Sá produz – sob orientação técnica da Psiquiatra Cristina Harada, da Psicóloga e Psicanalista Graciela Delmondes e da Psicóloga Paola Gianotto – e publica o fruto do trabalho da equipe em:

https://www.facebook.com/opotedagua/

O Pote D’água, um gesto de amor!

*Nota do autor:

Este material é parte integrante da cartilha O Pote D’Água.

São textos dirigidos às pessoas que padecem de dependência química ou outros males da sociedade moderna, além de seus familiares; que se tratam ou pretendem se tratar.