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A passividade do povo em meio ao caos: A inércia é assustadora

Por João Henrique de Miranda Sá


O Brasil vive momento caótico.

A inversão de valores salta aos olhos todos os dias. Nos noticiários, no restaurante, na farmácia, no cinema, no trânsito, na fila do banco... em todo canto.

Fosse pouco a natureza e o teor das denúncias com que lida a tropa da Operação Lava Jato, tais denúncias invariavelmente são confirmadas e fartamente comprovadas.

Mas isso não é o pior.

O povo assiste inerte e absolutamente passivo, o estupro do próprio Estado. Não nos damos conta de que o que é “do Estado”, é nosso...

Numa analogia bem forte - por isso mesmo bem útil - as alcateias que nos expoliam até o último vintém, para satisfazer sua sanha por poder e grana, utilizam a caneta (convertida em falo institucional) para a consumação do estupro coletivo que representa a sangria de todos os recursos do Estado, mediante poder por nós concedido, de quatro, diante das urnas.

Que o país está entregue às hienas (bicho que come excremento e parece gargalhar simultaneamente) todos nós sabemos. O que me assusta é que, aparentemente, o povo, grosso modo, parece não se importar, nem com a surra, nem com a curra descritas.

A inércia do povo diante das denúncias gravíssimas que assistimos todos os dias é estranho; porém, o comportamento anestesiado diante de farta documentação que comprovam tais denúncias é algo assustador.

Parece que ninguém percebe que, à medida em que as notícias que são trazidas à público são cada vez mais graves, mais e mais “circo” é providenciado para o povo. Observe bem.

Por acaso, você já notou que esse ano importamos um campeonato europeu de futebol? Pois é. Os nossos campeonatos (vários) já não são o bastante para distrair tanta gente e preencher as horas na grade de programação da TV, de modo a distrair dos crimes absurdos de lesa-pátria descobertos a cada instante.

Assistimos os ataques constantes que partem da maioria dos assentos do Congresso, de setores estratégicos dos poderes Executivo e Judiciário... impávidos! Como se fosse normal tudo o que está acontecendo. Essa apatia é que me assusta.

As únicas pessoas que estão fazendo algo efetivo contra os congressistas “vida loka” estão travando sozinhos uma batalha inglória.

O Planalto e o Congresso bombardeiam a Operação Lava Jato a fim de minar sua força; restringir alcance e intensidade de suas ações; desconstruir a única esperança de Justiça que pulsa neste país.

O trabalho constante de emburrecimento do povo - levado a cabo com o desmantelamento da Educação, com banalização do crime, e pela coisificação do povo - por parte daqueles aos quais confiamos a tarefa de zelar pelo bem público, revela-se extremamente bem-sucedido.

Nós tratamos a política como tratamos o futebol.

Mal sabemos que todos os times para os quais torcemos e defendemos, são, na verdade, uma quadrilha só. Uma casta de gente podre, que, apesar da opulência, da ostentação; dos ternos bem cortados (na maioria dos casos) e do discurso; defendem mesmo são seus próprios interesses.

O pior é que tudo isso só acontece porque nós autorizamos. Confiamos poder, mas não fiscalizamos. Vemos o erro, mas não cobramos providência; aceitamos a tudo isso como se fossemos beneficiários do esquema, e não, absolutamente não somos!

Nossa postura atual diante do caos instalado é de conivência.

Precisamos mudar isso.

Urgentemente. 

João Henrique de Miranda Sá é escritor e redator
https://www.facebook.com/jhmirandasa1931