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Os impactos da eleição de 2016 no futuro próximo

Por Jorge Hori


Como e quanto as eleições municipais irão ou poderão afetar a governabilidade do Governo Temer nos próximos dois anos? O que afetará as eleições de 2018?

Quanto à primeira questão, dois aspectos principais devem ser considerados:

1.            O reflexo das eleições no posicionamento ou votação dos congressistas, principalmente na Câmara dos Deputados;

2.            A pressão que os novos Prefeitos farão sob o Governo Federal para apoio financeiro.

Reflexo no Congresso
Um dado é claro e objetivo: a oposição ao Governo Temer representado explicitamente pelo PT ficou enfraquecida e terá pouca importância nas votações, embora mantenham as vozes estridentes e as campanhas de tabuletas para aparecer na televisão. 

Os petistas no Congresso terão que fazer uma profunda revisão nos seus posicionamentos, para não serem alcançados pelo tufão que varreu os prefeitos petistas e poderá dizimar o seu quadro de deputados e senadores. Sem uma profunda reciclagem a bancada petista corre o risco de virar ‘nanica’ e sob risco de perder direitos, caso a reforminha política estabeleça as cláusulas de barreira. O PT corre o risco de se tornar um partido dos grotões dos grotões acima do paralelo 16, com baixa participação abaixo desse. 

O PSOL busca ocupar o espaço da esquerda deixada pelo PT, por desvios éticos, e poderá receber mais dissidentes do PT, caso nova janela de mudança partidária seja aberta. Mas serão dos mais radicais. Os moderados tenderão a buscar outras alternativas. 

O PCdB fará parte do bloco da oposição, cuja força será reduzida, porém criou um fato novo que o PMDB e o Presidente Temer terão que enfrentar até 2018. O enfraquecimento do PMDB de Sarney no Maranhão, que ainda domina as bancadas do Estado na Câmara e no Senado. Uma perspectiva radical é que essa seja dizimada em 2018, tanto na eleição dos dois senadores com os atuais Edison Lobão e João Alberto sob risco de não serem reeleitos. O terceiro, Rocha, já é ligado ao Governador Flávio Dino. 

A pressão e a negociação dessa ala do PMDB sobre Temer será forte, embora tenha poucas moedas de troca. 

Mas o enfraquecimento político da ala esquerda fará com que a oposição radical ao Governo Temer não tenha condição de barrar nenhuma das medidas de grande interesse do Governo, assim como causar grandes embaraços, a menos da persistente gritaria e do uso das manobras regimentais, para as quais está pouco preparada. 

Na faixa intermediária estão dois partidos, supostamente de esquerda, mas que não se aliam inteiramente nem com um lado, tampouco com outro.

O PDT institucionalmente será oposição e ganhou alguma musculatura nas eleições municipais, mas ainda depende do segundo turno de Fortaleza, que indicará o grau de força dos irmãos Gomes. Mas não é um partido plenamente unido ideologicamente, podendo parte ser cooptado pelo Governo Temer. 

O PSB é o partido que vem apresentando o melhor desempenho eleitoral, dentro do campo da esquerda, mas também é dividido em duas grandes facções: a do espólio de Eduardo Campos, e a outra, menos clara,  mas cuja principal pretensão é o Governo de São Paulo em 2018. 

O posicionamento, as estratégias e as divisões internas desses dois partidos merecem maior avaliação, uma vez que poderão ser o fiel da balança, tanto em votações cruciais no Congresso nesses dois anos, como nas eleições de 2018.

Jorge Hori