A pacata vida de dona Dilma

Pelo menos enquanto ainda não é incomodada pela Operação Lava Jato, a ex-presidente Dilma Rousseff tem levado sua vida de forma pacata, num apartamento duplex de 120 metros quadrados em Porto Alegre (RS).

A nova rotina da ex-presidente é retratada por uma entrevista realizada pelo jornal Folha de S. Paulo, divulgada nesta terça-feira (1º).

Segundo o relato da petista, ela faz alongamento e se exercita diariamente, numa pequena área de dois metros quadrados. Depois, anda de bicicleta pelas ruas do bairro Tristeza, onde mora na capital gaúcha, ao lado de dois seguranças.

‘Eu queria escrever um romance policial. Gosto muito. Li muito’, diz, contemplando exemplares de sua coleção.

Impaciente após atender uma ligação telefônica, ela confessa: ‘Às vezes eu finjo ser outra pessoa. Às vezes eu sou a Janete’. E sorri, como quem se diverte com a traquinagem de enganar telefonistas.

O apartamento, com poucos móveis, trata-se de uma típica moradia de classe média. Bem diferente dos palácios em que passou a maior parte dos últimos cinco anos.

Não é estranho morar aqui depois de viver no Alvorada? pergunta a reportagem.

"Não. O Lula até me disse: 'para que você precisa de um lugar grande? Fica num pequeno mesmo'".

Depois diz que se habitua a tudo. E faz planos de cultivar uma horta na ampla –e vazia– área externa do segundo andar. Ali, não há muita privacidade. Há um prédio logo ao lado e outro ainda em construção.

No edifício, não há porteiro nem garagem subterrânea. Os dois seguranças da Polícia Federal a que t­em direito como ex-presidente ficam no pilotis, sentados num banquinho de praça. Não há guarita.

Como está depois de tudo? é a pergunta.

‘Estou bem. Não aguento a infelicidade’, retruca.

Dilma praticamente não sai. Não vai ao teatro ou ao cinema, programas que sempre se ressentiu de não fazer nos tempos de mandatária. Também não sai para jantar ou almoçar fora.

Sua saída restringe-se aos fins de semana, quando visita o ex-marido Carlos Araújo, os dois netos e, vez ou outra, um par de amigos.

‘Eu tenho 68 anos. E não tem tido nada que eu esteja querendo ver por aqui.’

Dilma praticamente não fala de política. Também não toca muito no assunto impeachment. Trata Lula com deferência e carinho. Não faz comentários sobre Michel Temer.

Indagada se teme pegar avião, ser hostilizada. ‘Disso? O que eu posso fazer, não ir? Não fico traumatizada’.

Se chorou em algum momento durante a crise, diz que não, mas garante que é capaz de chorar assistindo a um filme. Ou quando se lembra dos amigos que perdeu para a tortura.

‘Eu tenho muita dó dos que morreram, imensa. Porque é gente como eu, mas que morreu aos 30 anos. Me dá uma gastura enorme. Não gosto de pensar’, lamenta.

Sobre os detidos na Lava Jato ela questiona: ‘Será que eles podem ler livros lá na prisão?’.

Assim vive Dilma. Calma e pacata, por enquanto.

da Redação

Veja a reportagem completa na Folha de S. Paulo


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