Landes Pereira

Economista e Professor Universitário. Ex-Secretário de Planejamento da Prefeitura de Campo Grande. Ex-Diretor Financeiro e Comercial da SANESUL. Ex-Diretor Geral do DERSUL (Departamento Estadual de Estradas de Rodagem). Ex-Diretor Presidente da MSGÁS. Ex-Diretor Administrativo-Financeiro e de Relações com os Investidores da SANASA.

É preciso acreditar no futuro

‘Chicotear cavalo moribundo’ olhando para trás não leva a nada, a não ser cultivar mágoas, alimentar rancores e alimentar desilusões. É preciso conhecer o passado e o presente para se construir o futuro, para avançar rumo ao aperfeiçoamento da organização social, mas não se pode ficar preso aos erros pretéritos. É necessário participar da desconstrução dos abusos e dos desmandos administrativos, da corrupção, não mais apoiando velhos e carcomidos políticos. É importante protestar, mas é fundamental agir, denunciar e conhecer as necessidades individuais e coletivas do povo.

O sistema político brasileiro é composto de profissionais fisiológicos e não ideológicos. Quando uma sigla está em ascensão cresce rapidamente, e quando o partido cai na impopularidade, é facilmente esvaziado. Aconteceu com a ARENA no regime militar e na chamada “redemocratização”. Os arenistas aos poucos foram se transferindo para o PMDB, depois de passarem pelo PDS e pelo PFL. Nessa fase os ‘autênticos’ fundaram o PSDB e o PCB transformou-se em PPS; Brizola esvaziou o PTB com a fundação do PDT; o PL e muitos outros desapareceram e seus militantes se acomodaram em outras organizações. Agora se observa o crescimento do PSD de Gilberto Kassab, a estabilização do PMDB e do DEM e a morte do PT de Lula.

Mas também se observa um descontentamento muito grande e o descrédito dos políticos junto ao povo. Há um clamor por reformas. Entretanto, um parlamentar da “base temerista”, em conversa informal, avisou que qualquer mudança política significativa só acontecerá depois de 2022, provavelmente a partir de 2024, quando parte das atuais lideranças estará “fora do jogo”. Muitos políticos serão exterminados nas urnas, outros terão morrido antes disso e alguns estarão com idade acima dos 80 e não aguentarão mais disputar eleições.

É verdade. Em 2022 e 2024 Lula, Michel Temer, Renan Calheiros, Romero Jucá, Jader Barbalho, José Serra, Fernando Henrique Cardoso, Aécio Neves, José Sarney, Garotinho, André Puccinelli e muitos outros caciques da atualidade, não participarão nem influenciarão os pleitos eleitorais. Isto porque ou estarão velhos demais ou estarão na cadeia.

“A não ser que haja um milagre, e milagreiro é que não falta no Brasil”, afirma sua excelência que está no governo desde a década de 1980. O milagre poderá acontecer antes ou depois dessa profecia, dependendo da vontade das “forças ocultas” que comandam este país. A cláusula de barreiras é um bom começo, mas não é suficiente. O povo quer mais, muito mais. Eis aí uma verdade inconteste.

O que se viu nas eleições municipais foi melancólico, muito triste. Agora, no pós-eleições é fundamental trabalhar a consciência coletiva para a construção de uma reforma política de profundidade porque o modelo atual faliu, desmoralizou-se. Esse desejo é consenso nacional, com exceção dos políticos que comandam o parlamento Nacional. Entretanto, acreditar que tal coisa acontecerá em Pindorama no curto prazo e sem lutas, somente apelando para o princípio teológico do “credo quia absurdum” (creio mesmo que absurdo), um pressuposto da “fé pela fé”.

Talvez os “donos do poder” criem juízo e se movimentem antes que novas derrotas sociais aconteçam, ou que apareça um caudilho para mudar o status quo no grito, como aconteceu com um conhecido “caçador de marajás” que ainda usufrui dos cofres públicos. E os caudilhos estão de olho no “cavalo arreado”. O recém-eleito prefeito do Rio de Janeiro, senador Marcelo Bezerra Crivella, bispo da Igreja Universal do Reino de Deus, cantor, engenheiro e sobrinho do bispo Edir Macedo (“papa” da IURD), já teve sua candidatura à presidência da República lançada pelo bispo Robson Rodovalho, presidente da Confederação dos Conselhos de Pastores do Brasil e coordenador de candidaturas pentecostais e neopentecostais de diferentes denominações “evangélicas”. Não se deve esquecer que o ministro da Educação foi indicado por Silas Malafaia (líder do ministério Vitória em Cristo, ligado à Assembleia de Deus).

Por outro lado, considerando a imensa capacidade de fazer milagres já “demonstrada” nas televisões pelo bispo Macedo, pelo missionário R.R Soares, pelo profeta Valdemiro Santiago, pelo pastor Marco Antônio Feliciano e tantas outras lideranças “religiosas” distribuídas pelo território nacional, tudo é possível. Diante de tantos fenômenos sobrenaturais torna-se viável acreditar em milagres. Não esquecer que os padres da Igreja católica também estão fazendo milagres pelo Brasil afora.

Caso o “milagre” seja para uma reforma política agora, alguns tópicos a serem analisados pelo Congresso Nacional, antes que seja tarde demais, e entre outros que aparecerão: primeiro, que todos os privilégios econômicos sejam extintos (a isenção de impostos para as instituições religiosas, a fabulosa arrecadação para o sistema S das classes empresariais, o imposto sindical que sustenta os sindicalistas “pelegos”, as benesses para as redes de rádio e televisão - incluindo a Globo e a Record, os juros exorbitantes pagos aos bancos); depois, que todos os políticos citados nas “delações premiadas” da Justiça Federal (e não só os petistas) percam seus cargos públicos, sejam presos e transportados para Curitiba, e que seus direitos políticos sejam cassados por 40 anos.

O tópico mais importante do “milagre” seria a convocação de uma Assembleia Nacional Constituinte onde políticos que já tenham exercido cargos eletivos (vereadores, prefeitos, deputados estaduais, governadores, deputados federais, senadores e presidentes da República) não possam participar. É bom lembrar, também, que os salários dos parlamentares (de vereador a senador), prefeitos, governadores e ministros de Estado devem ser valorizados segundo a realidade nacional, nunca ultrapassando 20 salários mínimos.

Finalmente, para que o “milagre” seja completo, o Senado deverá ser extinto adotando-se o sistema de “Assembleia Unicameral”, com redução de excelências para uma quantidade que não ultrapasse 400. E que cada “defensor do povo” possa ter, no máximo, até 10 assessores com salários compatíveis com os dos professores.

Credo quia absurdum, leitor amigo. Mas está na Bíblia que a fé remove montanhas. É preciso acreditar e avançar sempre, ou então Pindorama continuará atolada no lamaçal da corrupção.

LANDES PEREIRA. Economista com mestrado e doutorado. É professor de Economia Política.

Landes Pereira

Economista e Professor Universitário. Ex-Secretário de Planejamento da Prefeitura de Campo Grande. Ex-Diretor Financeiro e Comercial da SANESUL. Ex-Diretor Geral do DERSUL (Departamento Estadual de Estradas de Rodagem). Ex-Diretor Presidente da MSGÁS. Ex-Diretor Administrativo-Financeiro e de Relações com os Investidores da SANASA.

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