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O Congo, o genocídio coletivo de uma nação - Quem é que vai pagar por isso?

Por Pio Barbosa


'O que me preocupa não é o grito dos maus, mas o silêncio dos bons'. (Martin Luther King )

As profundas desigualdades na distribuição da riqueza no mundo atingiram atualmente proporções verdadeiramente chocantes. A cada 3,5 segundos morre um ser humano de fome.

Calcula-se que mais de 815 milhões, em todo o mundo sejam vítimas crônicas ou grave subnutrição, a maior parte das quais são mulheres e crianças dos países em vias de desenvolvimento.

O flagelo da fome atinge cerca de 777 milhões de pessoas nos países em desenvolvimento, 27 milhões nos países em transição (na ex-União Soviética) e 11 milhões nos países desenvolvidos.

A fome é um fenômeno geograficamente universal, a cuja ação nefasta nenhum continente escapa. 

Toda a terra dos homens foi, até hoje, a terra da fome. As investigações científicas, realizadas em todas as partes do mundo, constataram o fato inconcebível de que dois terços da humanidade sofre, de maneira epidêmica ou endêmica, os efeitos destruidores da fome. 

A fome não é um produto da superpopulação: a fome já existia em massa antes do fenômeno da explosão demográfica do após-guerra. Apenas esta fome que dizimava as populações do Terceiro Mundo era escamoteada, era abafada era escondida. Não se falava do assunto que era vergonhoso: a fome era tabu. 

Não foi na Sorbonne, nem em qualquer outra universidade sábia que é possível lidar com o fenômeno da fome. 

À semelhança dos campos de Kisangani na África, onde milhões de refugiados lutavam pela sobrevivência em meio a uma guerra estúpida que ceifava diariamente vidas inocentes, bem como, a violência de minas terrestres, que vitimou mais de quatro milhões de africanos, além da fome, tudo isto, é um painel, um grande retrato de uma realidade que por si mesma, nos agride e nos faz pensar o quanto somos omissos na direção dos excluídos deste planeta.

Vi o documentário sobre o Congo, fiquei indignado, revoltado mesmo, que mundo é esse que tem dinheiro para "bancar" festas, sustentar poderosos e negligenciam os necessitados, uma nação inteira, entregue a corruptores e assassinos, que violam mais do que leis, que estupram, matam e que se mantém incólumes, intocáveis? 

Será que a comunidade internacional, não pode apelar para os tribunais superiores e decretar uma intervenção militar banindo assim esses malditos que estão destruindo famílias, rasgando as leis e impondo um estado marcado pela impunidade e pela tolerância a regimes opressores? 

Mais do que um holocausto, estamos diante de um quadro que sentencia inocentes à morte, mulheres ao estupro, vidas são sacrificadas em nome de uma tirania tolerada, aceita. 

Que papel deve desempenhar o mundo diante destas atrocidades? Onde estão as Cortes Internacionais, os poderosos do mundo, que podem ajudar e não ajudam? Onde está a força que pode demover estes vândalos sanguinários do poder?

Será que é preciso que outros morram para que o mundo atente para um povo saqueado, roubado, destruído, indefeso totalmente diante de hordas de malfeitores que fazem suas próprias leis em nome de uma ditadura que usurpa e rouba a paz naquele lugar?
Francamente, fico imaginando que os poderosos do mundo, bem que podem e devem agir, mas por que não o fazem? 

O que os impede de agir e de fazer o que deve ser feito? Lamento pelo povo do Congo, são seres humanos, são vidas imoladas pela arrogância e pela força de tiranos, mas é preciso resistir, e o melhor mesmo seria um confronto direto com eles, visando à rendição, por que certamente, para eles, tratados, acordos, são letras mortas, apagadas, e eles não vão cumprir nada do que for determinado seja pela ONU, seja por qualquer instituição que detenha o poder jurídico para interpelar criminalmente os mentores desta chacina que não é oculta.

Francamente, o depoimento de uma das testemunhas quanto à vida de uma jovem que passou várias semanas sendo alvo de estupro ao lado do corpo de uma amiga morta, é algo que nos faz pensar que destino queremos para o mundo, para o Congo, para a África, um lugar lindo, rico, cheio de belezas naturais, mas profundamente contrariado quanto a sua liberdade e a liberdade de seu povo. Urge uma ação imediata, povos do mundo, orai pelo Congo, mas, também lutai por ele!

Pio Barbosa Neto

Professor, escritor, poeta, roteirista