Edson Moraes

 Jornalista, poeta e apaixonado pela arte de escrever.

Sobre como (re)nascer numa manjedoura...

No Natal há, sim, rojões, comilanças pantagruélicas, falsidades. Há, no entanto, verdades sutis, anônimas, às vezes imperceptíveis. Elas nos revelam. Nos provocam. E quando as descobrimos, de cara já aprendemos e tirar o amargor da mente e do fígado.

Surpreendemo-nos quando levanta-se de nós a ousadia de acreditar no ser humano que somos e no ser humano que é o próximo. Iguais - somos todos iguais, qualquer seja a densidade de nosotros diante do espelho mais crítico que possamos içar até os olhos de nossa consciência.

Derramam-se dentro de nós e ao nosso redor a nostalgia e a dor sem tamanho de saudades incontornáveis, enlaçadas na ausência de entes queridos que partiram ou que de há muito não sabemos. Fim-de-ano é estação de nostalgia, queiramos ou não. Porque a dor e a alegria, celebradas em comunhão, redefinem-se nos seus tamanhos e contemplações, convertem-se em conteúdo que ensina, sereniza, eleva.

É possível aquietar a dor pelas ausências e potencializar a alegria pelas convivências. A presença deixa de ser um mero apelo físico e explode na imensidade cósmica que nos faz tão pequenos e tão imensuráveis, provados na humildade de um sorriso sem enfeites.

O nascimento de Jesus não precisa ser celebrado como se a boa nova estivesse na fartura de um convescote efêmero. O nascimento de Jesus não pode estar circunscrito ao calendário exclusivo dos cristãos. Jesus, o Grande, é. Além do tempo. Além do mistério. Além das respostas.

A criação do Senhor é que tem a vida nascida na manjedoura, embora queiramos algumas vezes conceber-nos num leito doirado de ostentação. Somos o estábulo, mas às vezes posamos com a soberba imperial de nossos palácios de vaidade.

Que a nossa fragilidade e nossas contradições não turvem nossos olhos, não embotem a nossa inteligência e não amesquinham o nosso instinto certeiro da fé e da esperança. Porque o mundo é para ser bom, se prevalecer a bondade. Para ser justo, se prevalecer a justiça. Para ser dos livres e da claridade, enquanto tivermos coragem e brio para denunciar e rechaçar os grilhões e a escuridão.

Você e família merecem que este Natal, redivivo no amor, projete a certeza de um ano novo efetivamente novo, profícuo, pleno de conquistas e energias para enfrentar e vencer os obstáculos. Convivência fraterna e respeitosa sempre! Liberdade sempre! Amor e fé sempre!

Edson Moraes

Edson Moraes

 Jornalista, poeta e apaixonado pela arte de escrever.

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