Eduardo Affonso

Arquiteto. Reside no Rio de Janeiro.

Uma análise sobre a ‘obra’ de cada um dos intelectuais que querem Lula presidente

Intelectual é alguém que ‘desempenha atividade de natureza mental, relacionada com o intelecto e a inteligência’.

É quem ‘tem uma atividade intelectual permanente ou predominante. Quem tem grande cultura’.

‘É a pessoa que produz pensamentos’, ‘que vive exclusivamente de seu intelecto, de sua inteligência e das coisas que requerem uma aplicação mental’.

Pelo menos nos dicionários é assim. Porque saiu uma lista de 400 intelectuais que pedem que Lula se lance logo candidato à presidência.

Será que a palavra “intelectual” mudou de significado, e ninguém informou?

Como podem pessoas com alguma atividade intelectual querer a volta de um governo que arruinou o país, que comprovadamente desviou bilhões dos cofres públicos, que implementou as piores práticas de governança?

A lista dos 400 “intelectuais” ajuda a esclarecer o paradoxo.

É encabeçada por Leonardo Boff (nome artístico de Genézio Darci Boff, teólogo submetido pelo Vaticano a “silêncio obsequioso” e que, revolucionariamente, conciliava os votos de castidade e o relacionamento com uma militante divorciada) e finalizada por Erivan da Silva Raposo (antropólogo e cientista político, que, sobre as “10 medidas contra a corrupção”, escreveu: “As propostas, em sua grande maioria, eram uma excrescência. Não tinha (sic) nada a ver com combate à corrupção”.

Entre o ex-padre que o cardeal Ratzinger mandou calar a boca e o antropólogo que não sabe fazer concordância verbal, há de um tudo. Inclusive a mulher do padre, Márcia Miranda Boff (número 30 da lista, o que prova que o empoderamento feminino ainda não chegou lá).

Tem o Ministro (por dois meses) Eugênio Aragão, o escritor Fernando Moraes (autor de uma inacabada biografia do guerreiro do povo brasileiro e presidiário José Dirceu), o Stédile (que ameaçou botar seu “exército” nas ruas para uma guerra civil caso Lula fosse preso).

Tem o músico Chico Buarque (é assim que ele está qualificado na lista, como se tocasse em alguma banda), sua filha Sílvia Buarque (atriz), seu genro Chico Diaz (ator), sua filha de criação Janaína Diniz (atriz), sua ex-mulher Marieta Severo (atriz), e o atual marido da sua ex-mulher, o diretor Aderbal Freire-Filho. Os netos, o cachorro e o papagaio (seguramente, todos também atores e atrizes) não foram localizados na lista de intelectuais.

No elenco, ops, na lista, estão Bete Mendes, Sérgio Mamberti, Tássia Camargo (a própria!), Bemvindo Siqueira, Dira Paes, Osmar Prado, Inez Viana, Cristina Pereira, embalados por Martinho da Vila e Beth Carvalho.

E também Malu Valle, Monica Biel, Marta Moreira Lima, Gabriela Carneiro da Cunha, Angela Rebelo, Jitman Vibranovski, Ernani Moraes, Henrique Juliano, Danielle Martins de Farias, Bruno Rodrigues, Bruno Rodrigues, Gilberto Miranda, Bruno Peixoto, João Rafael Alves, Geovane Barone , Nady Oliveira, Luiza Moraes, Amora Pera e Pedro Rocha. Todos atores e atrizes consagrados como intelectuais dos nossos palcos (ou será das telas? Da telinha? Dos picadeiros?).

A lista de intelectuais prossegue com André Diniz, sambista da Vila Isabel.

Anivaldo Padilha, ativista social.

Martha Vianna, ceramista.

Luiz Leopoldo Teixeira de Sousa, artesão.

Bárbara Proner Ramos, estudante secundarista (e já intelectual!).

Maria Eduarda Magalhães Feijó de Moura, ocupante do Colégio Pedro II (ocupante é profissão? ocupantes não são desocupados?)

Deolinda de Almeida Pantoja, dona de casa.

Juraci Dias Pantoja, aposentado (e, quem sabe? marido de dona Deolinda, dona de casa).

Ana Vilarino, representante comercial no interior do Espírito Santo.

Valdeni de Jesus Gonçalves, funcionário público em Machadinho, RS.

José Luiz Baeta, acumputurista (!) em Santos, SP (em acumpuntura, devem usar agulhas de tricô, vá saber).

Luiz Gonzaga dos Santos Vieira, odontólogo (não se sabe se periodontista ou especialista em tratamento de canal)

Tânia Beatriz Cardoso Brandão, contadora na Bahia, e Guelna dos Santos Pedrozo, contadora não se sabe onde.

Regina Cruz, Presidenta da CUT/PR (e a gente podia jurar que presidenta era igual mãe, só tinha uma).

Safira Elza Moura Caldas, aposentada.

Cunigunde Neumann, professora “apossentada” (deve estar muito cansada, coitada).

Idalina Barion, religiosa da Congregação das Irmãs Carmelitas da Caridade de Vedruna e professora aposentada em Bocaiúva, MG.

Claudio de Oliveira Ribeiro, pastor evangélico.

Claro que há também juízes, advogados (dezenas!), professores (outras dezenas), sociólogos, arquitetos, médicos, jornalistas, antropólogos, economistas, produtores culturais, fotógrafos, um físico e um programador visual, além do Bispo Emérito de Jales SP.

Da lista de 400 intelectuais que querem Lula lá podemos dizer que:

a) não são 400, mas 424 (ah, esse povo de Humanas...)

b) não contente em transpor a água do São Francisco e acabar com a seca, botar todos os pobres pra andar de avião e todos os pretos na universidade, o PT consegue agora o milagre de transformar estudante secundarista, dona de casa e pastor evangélico em "intelectual".

Não era mais honesto anunciar como a “lista de pessoas” (ou eleitores, ou brasileiros, ou militantes) que apoiam Lula?

Era.

Mas como cobrar honestidade (intelectual) de quem quer a desonestidade de volta ao poder?

Eduardo Affonso

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