Eduardo Affonso

É arquiteto no Rio de Janeiro.

É possível recuperar um petista...

Nos Estados Unidos, onde há de tudo, existem ONGs dedicadas à reabilitação ideológica.

Um exemplo é a ‘Life after hate’ (www.lifeafterhate.org), que oferece aconselhamento psicológico para quem faz parte grupos extremistas (cristãos, islâmicos, neonazistas, supremacistas) ou simpatiza com eles.

Como aqui copiamos tudo que vem de lá (Halloween, shopping, fuditruque, peitão de silicone), talvez copiemos isso também, e em breve pode ser que haja grupos de P.A. (Petistas Anônimos) funcionando nas paróquias, associações de moradores etc.

Se é possível recuperar cracudos, por que não se poderia tentar o mesmo com petistas?  Vício é vício – tanto faz se em cocaína, álcool, sexo, internet ou desonestidade intelectual.

Como nos A.A. e N.A., o tratamento começaria com a admissão de que o petismo os fez perder a capacidade de raciocínio, levando-os a falar por bordões (“a culpa é do FHC”, “e o Aécio?”, “é golpe!”, “fora Temer”), com perda total da capacidade de argumentação lógica.

O segundo passo seria fazê-los acreditar num poder superior (o Poder Judiciário), capaz de devolver-lhes, se não a sanidade, pelo menos a noção de que existe uma lei, e que ela é para todos.

A seguir, entregariam sua vontade e sua vida aos cuidados de um psiquiatra, uma benzedeira, uma avó com vara de marmelo, não mais aos de um sindicalista chegado ao desvio de verbas e avesso aos plural.

Fariam, então, um profundo e destemido inventário moral de si mesmos – também conhecido como “autocrítica” (pecado capital para um petista ativo, mas o caminho da salvação para qualquer petista em recuperação). 

Admitiriam a Xangô, Jeová, Alá, Tupã (o deus de sua preferência), a si mesmo e a outro ser humano (mesmo que seja outro petista) a natureza das suas falhas. As mentiras. As meias verdades. Os um quarto de verdade. As omissões deliberadas. As vistas grossas. A dupla moral. Os dois pesos e as duas medidas. Os fatos alternativos. A contabilidade criativa. Os desvios de finalidade. A indignação seletiva.

Se prontificariam a deixar que o Bom Senso e a Vergonha na Cara removessem esses defeitos de caráter.

Não daria para fazer a lista de todas as pessoas a quem tenham prejudicado (seriam uns 200 milhões, é gente pra caramba e listar todo mundo ia provocar tendinite, além de atrasar o processo), nem para se dispor a repará-las pelos danos causados (como devolver o emprego de 12 milhões de trabalhadores? Como ensinar Português e Matemática a toda uma geração? Como devolver a vida às vítimas da violência policial, da miséria, do preconceito?).

Essa parte teria que ser simbólica, tipo uma postagem no tuíter (“Aê galera, foi maus!”), o que já é melhor do que nada.

Procurariam, após a devolução da autonomia aos neurônios, melhorar seu contato consciente com a Humanidade (inclusive os que não leem Carta Capital ou Mídia Ninja nem veem vídeos da Tássia Camargo – ou veem e morrem de rir).

Tendo experimentado um despertar ético, procurariam levar essa mensagem a outros adictos, numa corrente de libertação que faria os estudantes de História estudar História (em vez de manipulá-la), os sem terra a lutar pelo seu direito à terra (em vez de destruir propriedades produtivas e servir de massa de manobra), as feministas a defender os direitos das mulheres (em vez de defecar em público, cultivar pentelho e comer placenta), os negros a exigir direitos iguais (em vez de cultivar o racismo e perturbar quem está de turbante).

Depois é só manter esse povo longe dos subsídios, dos patrocínios, das licitações e dos sanduíches de mortadela. Porque recaída é fogo.

Eduardo Affonso

Eduardo Affonso

É arquiteto no Rio de Janeiro.

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