Eduardo Affonso

Arquiteto. Reside no Rio de Janeiro.

Finalmente Lula diz uma verdade...

Reclamamos dos petistas, dos seus dogmas, mantras e ‘raciocínios’ em looping, e acabamos por não nos aperceber de quantas vezes agimos da mesma forma.

Um dos nossos dogmas de fé é acreditar que Lula mente. 

Sempre. 

Repetidamente. 

Irremediavelmente.

Em moto perpétuo.

E não é bem assim.

Quando Lula diz uma verdade, é bom parar e ouvi-lo.

Por mais que doa (e dói) nos nossos corações e mentes.

Lula disse: ‘Nem o Moro, nem o Dallagnol, nem o delegado da Polícia federal têm a lisura, a ética e a honestidade que eu tenho nestes 70 anos de vida’.

Nós, coxinhas, nos arrepiamos dos pelinhos da canela até os da virilha. E erguemos os olhos e as mãos aos céus, clamando por misericórdia (mesmo eu faço isso, mirando o céu de Darwin, Copérnico, Freud e Galileu). Mas por quê, se é a mais pura verdade?

Ninguém tem mesmo a lisura, a ética e a honestidade do Lula.

Nem o François Duvalier, que saqueou o Haiti, tinha a honestidade do Lula - porque, por ser o Haiti tão miserável, não havia tanto o que saquear quanto aqui.

Nem o Jean-Bedel Bokassa, que se proclamou imperador da miserabilíssima República Centro-Africana, e fez construir para si um trono de ouro, tinha a ética do Lula - porque ele jamais negou que seu trono e seus palácios fossem seus.

Nem o Berlusconi, o das festinhas de bunga-bunga, nomeou a amante para chefiar o escritório da presidência (talvez por ele ser Primeiro Ministro, mas dá na mesma).

Nem a Cristina Kirchner armou palanque e fez discurso eleitoral no velório do marido.

Para nossa alegria, nem o Moro, nem o ‘moleque’ Dallagnol nem o delegado da PF têm a lisura, a ética e a honestidade do Lula.

É o que nos salva. Já pensou se tivessem?

Eduardo Affonso

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