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O que podemos aprender com o caso do abuso de José Mayer?

Por Henrique Guilherme


Como aparentemente todos sabem, o ator José Mayer abusou de uma garota nos sets de filmagem da Globo. Não foi uma investida escondida e sem testemunhas: de acordo com a vítima, duas pessoas estavam presentes quando ele passou a mão na vagina dela. O relato inteiro da vítima, Susllem Menegguzzi Tonani, pode ser resumido assim:

Há oito meses, ele começou com a investida, que aparentemente era apenas verbal e inofensiva. Ela afirma: “E com ele vinham seus “elogios”. Do “como você se veste bem”, logo eu estava ouvindo: “como a sua cintura é fina”, “fico olhando a sua bundinha e imaginando seu peitinho”, “você nunca vai dar para mim?”. Vamos ser sinceros: elogios como “como você se veste bem” e “como a sua cintura é fina” NÃO TÊM NADA EM COMUM com “fico olhando a sua bundinha e imaginando seu peitinho” e “você nunca vai dar para mim?”. São coisas COMPLETAMENTE DIFERENTES. Ainda assim, por mais que a percepção da garota sobre elogios seja típica de alguém que passou por uma lavagem cerebral feminista (bem, ela trabalhava na Globo), é FATO que perguntar se alguém vai dar para você NÃO É UM ELOGIO.

Depois disso, tudo indica que ela jamais se insinuou para ele. Ela diz que falou para ele “com palavras exatas e claras, que não queria, que ele não podia me tocar, que se ele me encostasse a mão eu iria ao RH”. Isso não parece ter afugentado o traste. Ela teve que alertá-lo depois: “você é mais velho que o meu pai. Você tem uma filha da minha idade. Você gostaria que alguém tratasse assim a sua filha?”.

Mas o abuso ocorreu em fevereiro deste ano, quando ele teria passado a mão nela na frente de duas outras pessoas: “Em fevereiro de 2017, dentro do camarim da empresa, na presença de outras duas mulheres, esse ator, branco, rico, de 67 anos, que fez fama como garanhão, colocou a mão esquerda na minha genitália. Sim, ele colocou a mão na minha buceta e ainda disse que esse era seu desejo antigo. Elas? Elas, que poderiam estar eu meu lugar, não ficaram constrangidas”. Susllem chega a relatar que as garotas inclusive RIRAM com o episódio.

E não parou por aí. Ela conta que ficou intimidada, principalmente pelas pessoas presentes terem levado o abuso com naturalidade, e não o denunciou de imediato. Ela tentou evitar o ator a todo o custo, até que precisou atuar em uma cena com ele. Ela conta: “Até que nos vimos, ele e eu, num set de filmagem com 30 pessoas (...). Neste momento, sem medo, ameaçou me tocar novamente se eu continuasse a não falar com ele. E eu não silenciei”. Ele respondeu chamando ela de VACA em voz alta, com todos vendo, sem nenhum medo. A lição que eu tiro disso é que, para uma mulher, parece que a Rede Globo é um PÉSSIMO lugar para trabalhar. Depois disso, ela o denunciou e você ficou sabendo do que aconteceu.

A reação de José Mayer foi típica de um escroto covarde. Primeiro, como qualquer bandidinho esperançoso de que as coisas morreriam por ali, NEGOU: “Respeito muito as mulheres, meus companheiros e o meu ambiente de trabalho e peço a todos que não misturem ficção com realidade. As palavras e atitudes que me atribuíram são próprias do machismo e da misoginia do personagem Tião Bezerra. Não são minhas”. Também afirmou: “Nesses 49 anos trabalhando como ator sempre busquei e encontrei respeito e confiança em todos que trabalham comigo”.

Mas depois que a repercussão deixou sua posição indefensável, teve que se retratar: “Eu errei. Errei no que fiz, no que falei, e no que pensava. A atitude correta é pedir desculpas”. O que fez ele mudar de ideia em um período de dois, três dias? Ele só reconheceu a culpa porque viu que sua versão não se sustentava. Ele não admitiu que errou por ter se arrependido, mas para cavar compaixão do público.

Ele continua: “Mesmo não tendo tido a intenção de ofender, agredir ou desrespeitar, admito que minhas brincadeiras de cunho machista ultrapassaram os limites do respeito com que devo tratar minhas colegas”. Não teve a intenção de ofender? Quando? Será que se alguém dissesse para a filha dele que fica olhando a bundinha dela, ele não ia achar isso ofensivo? Não ia achar isso um desrespeito? Vamos perguntar a ele: Seu Zé Mayer, o povo pode perguntar para a sua filha quando ela vai dar para a galera que você não vai achar desrespeitoso ou ofensivo? Claro que ele SABE que suas atitudes eram agressivas e desrespeitosas. Mas, diz ele, não teve a intenção.

E o pior na retratação do tarado foi culpar a sua educação e a sociedade pelos seus erros: “Tristemente, sou sim fruto de uma geração que aprendeu, erradamente, que atitudes machistas, invasivas e abusivas podem ser disfarçadas de brincadeiras ou piadas”. O crápula acusa os MEUS PAIS, os SEUS PAIS, os PAIS DE TODOS QUE ESTÃO LENDO ISSO AQUI, pelo CRIME que ele cometeu. A culpa não é tão dele, já que ele é “sim fruto de uma geração” que aprendeu que as atitudes dele podem ser disfarçadas de piada. Típica atitude de um bandidinho covarde. Se ele aprendeu isso com os pais dele, ele deve culpar EXCLUSIVAMENTE eles por terem o ensinado que passar a mão em mulheres sem consentimento e chamar quem não quer nada com ele de VACA é normal. Mas convenhamos, José Mayer pode ter tido ótimos pais e o que o tornou esse tarado cretino foram anos trabalhando na Rede Globo. E isso só torna ele MAIS CRETINO, já que acusa os PRÓPRIOS PAIS de educá-lo de uma forma tão tosca.

Então vamos às lições:

Para começar, como o ator não negou o ocorrido, mas tentou se desculpar da forma mais covarde possível, o relato pode configurar crime sexual conforme o código penal. As ações de José Mayer podem se encaixar nos artigos 215 ou 216 do Código Penal, tanto pelo “ato libidinoso” quanto pelo “constrangimento” na condição de condição superior inerente ao emprego.

Depois, que todo o caso está cheio de um esquerdismo cultural que parece ser típico das organizações Globo. A vítima confunde OFENSAS e DESRESPEITOS com elogios. Perguntar se uma mulher vai dar para alguém NÃO É UM ELOGIO. Dizer que está olhando a bunda de alguém, sem a devida intimidade conquistada, NÃO É UM ELOGIO.

Tanto o agressor quanto a vítima também pegaram a palavra “machismo” para usar como bode expiatório. Não sei se você também percebe, mas isso é EXTREMAMENTE PREJUDICIAL para as vítimas de abuso. De repente, a culpa é compartilhada com todos os homens, diminuindo a culpa do agressor. O fato é que agredir, ofender e passar a mão em mulheres sem consentimento só é machismo no novo vocabulário de esquerda que as próprias empresas Globo querem propagar. Por mais que alguém tenha uma visão negativa do conceito, o que aconteceu NÃO TEM NADA A VER com machismo.

Também é importante frisar que as atitudes de José Mayer não são típicas de um “machão” ou de um “garanhão”. Um homem não precisa nem ser desrespeitoso nem agressivo com uma mulher para ser considerado macho. As atitudes do ator colocam ele no campo dos COVARDES TARADOS. Na minha opinião, José Mayer se tornou um velho tarado vivendo do passado, quando os atores globais conseguiam dormir com mulheres com alguma facilidade, SEM PRECISAR ENTIMIDÁ-LAS e PASSAR A MÃO NELAS. Hoje, ele deve ser apenas um tosco cheio de desejos pelas moças novinhas que aparecem para filmar com ele, mas que não estão nem aí para... um velho tarado com um discurso acovardado de esquerda. Todas as atitudes de Mayer não são de um macho, mas de um covarde.

Mas a lição principal que eu tiro de tudo isso é: AS ORGANIZAÇÕES GLOBO SÃO UM PÉSSIMO LUGAR PARA VOCÊS MULHERES TRABALHAREM. Vejam, o ator abusou da garota na frente de DUAS OUTRAS PESSOAS, mas ninguém fez nada, como se isso fosse NORMAL dentro da Globo. Depois, assediou e ofendeu a moça na frente de TRINTA PESSOAS e só ficamos sabendo disso porque ela resolveu tomar uma atitude. De fato, a atriz revela que seu martírio durou pelo menos oito meses.

E o que esperar de uma rede que abraçou o esquerdismo com todas as forças? Pessoas virtuosas? Por exemplo, se eu vejo alguém passando a mão em uma garota da forma que o ator fez nos meios que eu frequento, ela não vai precisar dar um tapa nele: eu que vou. Se alguém assedia uma mulher chamando-a de vaca na minha frente, o sujeito vai ter que se explicar. Creio que muitos dos que estão lendo fariam o mesmo, já que somos fruto de uma geração que aprendeu a respeitar e tratar bem as mulheres. Mas, bem, não nas organizações Globo. Lá, mulheres são assediadas por velhos tarados que vivem do passado e as pessoas parecem não ligar.

Henrique Guilherme