Renan Calheiros sobreviverá?

Renan Calheiros tem conseguido se manter à tona nas águas políticas, dentro do seu projeto pessoal: ser permanentemente um protagonista.

Não se contenta em estar no meio político, seja nos bastidores, e muito menos na plateia, como simples espectador. Ele precisa, por compulsão pessoal, estar na frente do palco: comandar o espetáculo.

Evidentemente, Renan está preocupado com outubro de 2018 e precisa aplainar - desde já - o caminho para ele e seu filho, atual Governador das Alagoas.

Mas a sua preocupação maior é com o tempo presente, com a perda de protagonismo.

Por isso ele chama Temer, toda hora para a briga. Numa cultura de MMA ou UFC, a mídia refletindo o interesse de parte da sociedade, açula a briga, a disputa: quer ver caras amassadas, pernas quebradas, sangue. Renan provoca, tem visibilidade, mas a sua estratégia já está se esvaindo.

Temer não compra a provocação e até debocha. Quer ser reconhecido como o Presidente que salvou o Brasil, tirando-o da maior e mais prolongada crise econômica. Para isso precisa aplicar remédios amargos, fazer cirurgias que afetam a sua popularidade. Aproveita a impopularidade para aprofundar as medidas dolorosas.

Ele não pretenderia, como José Sarney, permanecer na política, depois da Presidência. O seu exemplo é Getúlio Vargas.

O dilema dos peemedebistas é se esses remédios amargos não salvarem o Brasil, até 2018. Num ambiente econômico ruim, eles acham que irão afundar juntos.

Temer quer sair da política para passar para a história. Os peemedebistas, liderados por Renan querem permanecer no mar político e na ‘crista da onda’.

Jorge Hori

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