Plano de recuperação empresarial - Qual é o segredo, qual a mágica?

Para recuperação de uma empresa em dificuldades, a pergunta sempre será: qual é o segredo, qual a mágica?
Com frequência, a mágica é aquela que se esquece de fazer no cotidiano. 
Um aspecto extremamente importante em gestão é o trabalho. Trabalho que gere resultados. Quando este não aparece, a demanda é simples: mais trabalho!
Até quando? Até quando surtir efeito ou as dificuldades e parte do trabalho forem delegados.
Em busca de respostas, o homem sempre cavará. Cavar é necessário. Contudo, saber onde cavar é conhecimento, saber quando parar e delegar é sabedoria! 
Administrar um negócio não é tarefa simples. As barreiras e dificuldades são muitas, por isso expertise pesa na balança.
Diz um velho ditado: “Um homem aprende mais sobre o gato quando o leva para casa arrastado pelo rabo do que com toda literatura e explicação que possa encontrar sobre o felino”.
Nesse aspecto, os consultores são de grande valia! A expertise e a capacidade de adição de competência dos consultores estão no fato de que estes já puxaram muitos gatos pelo rabo, e normalmente, têm grandes conhecimentos das possíveis reações.
E, para iniciar o processo, é necessário ter conhecimento se aquilo que está sendo puxado pelo rabo é realmente um gato.
A concorrência hoje não é estabelecida apenas pelo vizinho da fábrica ou loja ao lado, mas por investidores do outro lado do mundo.
Um mercado sem fronteiras, que trabalha vinte quatro horas por dia, sete dias por semana, atendendo não apenas o mercado local, mas atuando com cobertura global.
São investidores de empresas que compram em grande escala, produzem em escala a obter produtividades notáveis e distribuem em escala fenomenal. 
Nesse ponto a palavra chave é escala!
Para produzir vão em busca de mercados incentivos, mão de obra barata capaz de absorver rapidamente conhecimento tecnológico, primando por qualidade e produtividade, que tornam os custos extremamente baratos. 
Agressivos concorrentes, duros competidores, dispostos a explorar oportunidades globais, enfrentando riscos totais!
A capacidade de agir com extrema velocidade, para aproveitar oportunidades, permite que os empreendedores globais sejam capazes e estejam dispostos a tornar obsoletas suas próprias organizações. Renovando, inovando ou revolucionando são grandes candidatos ao lugar mais alto do podium na corrida para criar e atender os anseios dos consumidores. 
Competir e concorrer nesse mundo dinâmico com a empresa saudável já é difícil, o que dizer quando esta passa por dificuldades? 
Simples, então, perceber que uma premissa básica no processo de gestão é trabalho, não?
Trabalho duro, trabalho intenso, trabalho dedicado, horas, dias, meses de estudos, reflexões, debates e tomadas de decisões...
Trabalho em busca de respostas para:
Em que mercado atuar: local, nacional ou global?
Quais produtos oferecer?
Oferecer produtos genéricos ou com relevância de marca?
Onde produzir?
Como produzir?
Que tecnologia aplicar?
Que qualidade percebida oferecer?
Quando inovar?
Como equacionar os gastos?
Como administrar os custos?
Em que faixa de preço competir?
Como financiar as operações?
Que modelo de gestão aplicar: centralizado ou descentralizado?
Como estruturar a organização para imprimir velocidade nas decisões?
Como formar o plano de carreira para atrair e reter talentos, mas que ainda permite custos competitivos?
A lista de perguntas será substancial!
Gestão é um processo, e este pode ser gerador ou consumidor de energia. O gestor principal se vê cercado de boas ideias e ideias boas. Escolhe-las não é algo fácil.
Uma boa ideia nem sempre se revela uma ideia boa!
Carros pequenos, com baixo consumo de combustível, é, sem dúvidas, uma boa ideia. Contudo, em época de combustível barato nunca encontrou aceitação.
Em negócios, uma boa ideia tem que gerar lucro, superávit de caixa, de forma que se configure uma ideia boa: aquela que atende as necessidades da empresa e os anseios dos consumidores. Retorno é a palavra chave para quem investe e corre riscos. Satisfação é o premio para quem abre mão da poupança que fez, adquirindo um bem.
Um plano de recuperação empresarial segue os mesmos passos da gestão do cotidiano, difere apenas num aspecto fundamental: tudo terá que ser feito com extrema urgência!
A toque de caixa como dizem uns, sem erros como dizem outros. Enfrentando o tigre como uma só bala!
O plano de recuperação empresarial é gestão de choque. Fazendo enquanto se pensa...
A gestão de choque sempre provoca choque na gestão, por isso experiência no trato global é fundamental.
Reduzir estrutura, reduzir custos, trocar matérias primas, fornecedores, atrair novos investidores, vender parte da empresa, renegociar contratos, sempre provocam dissabores e criam áreas de conflitos. Porém, não há conflito maior que a falência...
Portanto, experiência em gestão de conflitos é primordial.
Costuma-se dizer que o processo de gestão é complexo porque envolve pessoas. Digo, por experiência, que o que provoca dificuldades não é o fato de termos pessoas envolvidas, o que provoca dificuldades adicionais são os interesses dessas pessoas. Atendê-los muitas vezes estabelece cenários contraditórios.   
Um rápido exemplo:
Os gestores da empresa A viviam em conflito com seus comandados, com isso tinham dificuldades de reduzir os gastos, melhorar a produtividade, porque os antigos contratados faziam enorme pressão para evitar mudanças.
Por não gerar os resultados esperados, os investidores resolveram vender a empresa.
Os novos acionistas foram enfáticos na troca dos diretores: gestão de choque- Gestão RR – resultado ou rua! Fechariam a empresa...
Os antigos colaboradores já não tinham como exercer pressão. As ordens eram claras, e as medidas seriam por ordem:
Resultados imediatos
Redução imediata do quadro de colaboradores
Se os passos acima falhassem, encerramento das atividades!
Como um passe de mágica, as medidas começaram a dar frutos.
A preocupação do foco deu lugar ao foco da preocupação.
Quando o ser humano quer, faz. Quando precisa, faz mais ainda!
Um negócio é criado para gerar lucros. Se não for para esse objetivo, melhor aplicar o dinheiro de forma que traga mais satisfação.
Planta que não dá frutos, não gera sementes para sua perpetuação.
Regra prática: se a planta não der frutos, regue outra!
Da Bíblia vem um pouco da sabedoria dos homens, para alguns atribuída a Matheus, outros à Lucas, para mim à essência da nossa natureza: “O machado já está posto à raiz das árvores, e toda árvore, pois, que não produz bom fruto é cortada e lançada no fogo”.
Assim agem os investidores, assim é o cenário da vida!
Ivan Postigo
Diretor de Gestão Empresarial
Articulista, Escritor, Palestrante
Postigo Consultoria Comunicação e Gestão
Twitter: @ivanpostigo
Skype: ivan.postigo


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