Assim será o interrogatório de Dilma Rousseff pelo juiz Sérgio Moro

MORO – Interrogatório da Sra. Ex-Presidente da República, Dilma Vana Rousseff, na Ação Penal 2115/17, com acusação do Ministério Público Federal pelo crime de Obstrução da Justiça. Presentes na audiência os representantes da acusação, além da interrogada com seu procurador, Dr. José Eduardo Cardozo, e este Juiz. Sra. Ex-presidente, bom dia.

DILMA – Amém !

MORO – Como?

DILMA – Meu querido, olha só: em primeiro lugar, eu quero lhe dizer uma coisa de todo coração: bom dia pra você, viu?

MORO – Sim, sim...Bom dia. Sra. Ex-Presidente, nós temos aqui essa acusação do MP de que a senhora teria, supostamente, avisado Mônica e João Santana de que eles seriam presos. O que a senhora tem a declarar sobre isso??

DILMA – Olha, Dr. Moro, a minha declaração é feita todo ano com o meu contador...Tá tudo direitinho, viu? Meus bens, minha, bicicleta, a Erenice. Tudinho, tá?

MORO – Hum?...Não, não..Isso eu sei...Eu pergunto: a senhora avisou eles de que seriam presos?

DILMA – Ah, meu querido, por favor, eu vou dizer uma coisa pra você: dessa coisa de ser presa... Eu...Isso, inclusive, eu entendo muito bem, tá?...Até a Erenice...Ô, Erenice ! A Erenice não veio logo hoje que era para falar nos “meus bens” ??! ...Ta que o pariu, viu? E o Cardozo? Tá aí ?? Cardozo, cê fodeu com o meu depoimento com o Dr. Moro, viu !??

José Eduardo Cardozo (chorando ao lado de Dilma) – Tô, sim, presidente, tô...Calma, tá tudo bem..

MORO – Bom, mas seguindo, Sra. Ex-presidente: qual a sua relação com Mônica Moura durante o seu mandato?

DILMA – Ah, meu querido, por favor, eu sou avó!...Relacionamento normal, né? Inclusive essa coisa toda da Mônica, eu falei várias vezes com o Cardoso ….Eu quero dizer com o Maurício, tá doutor? Ô minha querida? (Dilma dirige-se à secretária do Dr. Sérgio) – Bota aí: é o Maurício Cardoso, não esse aqui, viu? Mas então...Quê que eu tava dizendo? Ah, sim..Aí eu disse pro Cardoso: O Cardoso, eu acho que essa coisa toda da Mônica com o Cebolinha vem passando dos limites, viu?

MORO – Sei, sei...Eu achava que o nome era Maurício de Sousa. Mas, presidente, vamos voltar: e esse e-mail? Esse 2606iolanda…

DILMA (interrompe cantando) “Se me faltares, nem por isso eu morro...Se é pra morrer quero morrer contigo...” Ai, Dr. Moro, coisa mais linda, viu? Sr. sabe que até hoje eu fico arrepiada com essa música do Barão Vermelho...Isso lembra aquele tempo, aquelas coisas, aquilo tudo...Olha, vou dizer pro senhor: não foi fácil, viu?(com lágrimas nos olhos)

José Eduardo Cardozo tira uma caixa de Lexotan 6mg do bolso. É o último comprimido. Oferece à Dilma que joga o comprimido fora e começa a mastigar a caixa. Cardozo encolhe os ombros, verifica se Moro está olhando ou não e toma, ele mesmo, a medicação que juntou do chão.

MORO – Sei, sei...não..A senhora pode ficar tranquila durante seu depoimento...Está tudo bem. Vamos fazer um intervalo…

Cardozo leva Dilma para fazer xixi e cocô na calçada. Lá fora, Eduardo Suplicy, completamente nú, num palanque montado pelo PT, canta Bob Dylan (Blowing in The Wind). A massa petista vai à loucura e berra: “Dilma Guerreira ! Mulher Brasileira ! Dilma Guerreira ! Mulher Brasileira !” Curitiba completamente parada. Transmissão da Globo News com Emilly, do BBB17, comentando. 

DILMA (entrando na sala) - ….então é isso, viu Cardozo? (que vem atrás de Dilma enxugando as lágrimas e meio sedado pelo Lexotan) 

Diz pra esse tal Reginaldo Azevedo que ele não é Deus, viu? ...Nem ele nem esse fonoaudiólogo, o tal Orvalho de Caralho...aliás, esse tá lá em Oxford, nos Estados Unidos, chamando protestante de filho da puta, mas não passa de uma versão de Sidney Chesterton - que escreveu aquele livro..como é mesmo o nome? Ah, lembrei: “Ortopedia” - que manda todo mundo tomar no cú…

Aliás, pensando bem, dessa parte do Orvalho eu gosto, Cardozo...Anota aí: gostei ! E gosto também daquela outra jornalista – a Josie Anderson...Ô, se gosto, hein Cardozo? 

Ali, se eu pego, faço barba, cabelo e bigode ...não deixo nada! (falando baixinho para Erenice Guerra, que está atrás, não escutar)

MORO (sentando-se) – Bom, Sra. presidente...Voltando …

DILMA (interrompendo) – Voltando? Quem? De onde?

MORO – Não, não... A senhora não entendeu: voltando ao ponto em que paramos…

DILMA – Hum? Ah, sim ! Sim, isso eu até concordo.

MORO – Bom, Sra. Ex-presidente, eu perguntava à senhora se lembra de ter avisado Mônica e João Santana de que eles seriam presos …

DILMA (interrompendo) – Dr. Moro, olha só, meu querido, deixa eu dizer uma coisa bem sincera de coração para o senhor, tá? Quando a pessoa lembra de uma coisa, é porque a coisa aconteceu...se não lembra, não aconteceu...mas, por outro lado, tem coisas que me aconteceram que eu já nem lembro...então é como se não tivesse acontecido, né? Ainda mais essa coisa de ser preso né, doutor Moro? Isso de ser preso é uma coisa tão pessoal, tão própria da pessoa...Depois tem outra coisa: atrás de cada pessoa que vai presa, tem um guarda lá fora, e esse guarda anda sempre com um cachorro...Atrás de cada guarda sempre tem um cachorro, Dr. Moro! 

MORO (dirigindo-se à secretária da Vara) – Interrompo audiência até que a ré se faça acompanhar de médico com especialização em Psiquiatria. (dirigindo-se à Dilma) Sra.ex-presidente, a senhora faz algum tipo de tratamento psiquiátrico?

DILMA – Hum...que eu saiba, não. Ô, Dr.Moro, meu querido, deixa eu lhe dizer uma coisa, tá? A Psiquiatria, pelo menos depois de Sócrates, teve sempre duas correntes, a contínua e a alternada. Na corrente contínua, a pessoa fica no mesmo médico; na alternada, ela muda, mas não é o meu caso, né? Depois, com essa coisa de aquecimento global e a queda da mandioca, tudo mudou...não é mais assim, as coisas mudam, Dr. Moro...Tem que aceitar...

MORO (já em pé) – Sei, sei...bom: outro dia continuamos, presidente. Até logo.

CARDOZO (ajudando Dilma, que ainda mastiga um pedaço da caixa de Lexotan, a se levantar) – Vamos embora, Presidenta? Era isso...hoje acabou..

DILMA – Já? Ah, Cardozo, logo agora que eu tava começando a gostar?? Agora tô aqui em Curitiba...sem nada pra fazer, a praia e o mar daqui são tão ruins...Quer ir ao cinema comigo, Cardozo??

José Eduardo Cardozo (suspirando) – Seria um prazer...Que filme está passando, presidenta??

DILMA – Ah, um novo que, além de nunca ter passado antes, é inédito, Cardozo...O "Crepúsculo dos Deuses"...Sabe, Cardozo, sou comunista, não acredito em Deus, mas quero só ver quando anoitecer e ele ficar no escuro...

Aos amigos e amigas que formaram o Inglourious Doctors em julho de 2013.
Um grande abraço, 

Milton Pires

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