Carta aberta aos militantes do PT

Amigo petista,

Eu não sei se você reparou o que foi revelado nesse país nos últimos meses. Se estava realmente prestando atenção no noticiário. Se não mantinha os ouvidos tapados durante as delações. Mas esse é o exato cenário revelado pela Lava Jato até aqui.

A Carta Capital recebia para falar bem do PT. Os blogs que você compartilha eram muito bem remunerados para defender Lula e Dilma. E os sindicatos, adivinha só? Faturavam alto para fazer a mesma coisa.

E eles não eram os únicos. Longe disso.

Nesse tempo todo, por lutar em torno do mesmo projeto de poder:

Em nome dos estudantes, a UNE encheu o bolso.

Em nome da cultura nacional, músicos, atores e diretores tinham as portas abertas para os repasses em Brasília.

Em nome dos mais pobres, líderes de movimentos sociais ocuparam o topo da pirâmide. 

Nos últimos dias, se você não esteve em coma, descobriu que até um perfil sem graça de humor levou uma bolada para defender Dilma e que malas com dinheiro público sobrevoaram o continente pra comprar o apoio de presidentes de esquerda da América Latina que fingiam lutar pela nossa soberania.

Não notou ainda? Era tudo fake, mandrake, de mentirinha.

Nesse tempo todo, só você não encheu o bolso para defender o PT, preocupado demais em repetir os discursos de caras muito bem remunerados para fazer você acreditar que estava do lado certo da história.

Enquanto eles viajavam de primeira classe pra fora do país, trocavam de carro, reformavam suas casas e frequentavam alguns dos melhores restaurantes em terra brasilis, você desempenhava o mesmo papel sem levar um único centavo por isso. E pior: ainda lutando para manter o seu emprego e as suas contas em dia.

Cá entre nós, a cortina caiu, o teatro desabou, a plateia acordou. 

Nunca houve sociedade civil organizada, movimentos sociais ou classe artística engajada em torno de uma suposta onda vermelha operária.

Havia apenas dinheiro público desviado para comprar mercenários formadores de opinião e construir capital político para um projeto de poder mais compromissado em fundar a Odebrechtolândia do que abraçar o Brasil. 

Dinheiro que, não por acaso, só você não viu.

Rodrigo da Silva

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