Jorge Hori

Articulista

Sobrevida para Michel Temer

Com o pronunciamento de Temer e a divulgação oficial do áudio, Temer ganha uma sobrevida na Presidência, mas já como 'pato manco'.

Não vai conseguir caminhar com a sua agenda de reformas. Provavelmente consegue a aprovação do Senado, mas com alterações. O que levará o projeto de volta à Câmara.

O Presidente teria perdido condição de prometer as eventuais correções através de veto ou Medida Provisória.

A reforma previdenciária, provavelmente não caminhará.

A conversa gravada não tem a mega gravidade inicial, mas ainda é muito grave e tornou o Presidente, cúmplice de tentativas de obstrução à justiça: por omissão.

Nesse caso, como em muitos outros, o que vale para a política, para a sociedade, para o mercado é a impressão, a versão. A imagem nítida, apesar da má qualidade do áudio é de uma conversa íntima de membros de uma quadrilha.

Como tal Temer não quer passar como um derrotado pelo seu "mui amigo" parceiro que, tendo montado uma armadilha, pretende escapar das penas mais graves, derrubando-o.

Percebeu a conspiração de Janot e Fachin para derrubá-lo. Tanto que, acordaram a delação de Joesley Batista, por "míseros" 250 milhões de reais. Que ele já ganhou especulando no mercado com os efeitos da sua delação. Aliás, muito mais que isso.

Poderá até haver um processo para revisão do acordo, para agravar as penas de Batista, mas isso não aliviará a situação de Temer.

Temer não terá que pagar pelos seus inúmeros malfeitos, ao longo da sua carreira, que até agora conseguiu esconder publicamente. Mas será condenado por estupidez.

Os políticos poderão até aceitar os argumentos de Temer, mas a sociedade não e, principalmente, o mercado não.

Se a queda será imediata, ou a curto prazo dependerá dele. Será imediata se renunciar. Será a curto prazo pela decisão do TSE de impugnar a diplomação da chapa Dilma-Temer e ratificação imediata do STF. 

A sua decisão de renunciar ou não será determinada pela reação do mercado. Se houver uma forte reversão dos indicadores econômicos positivos que foram até citados por Temer, ele terá oportunidade de sair, alegando que todas as conquistas que ele promoveu não podem ser perdidas pela sua permanência.

Nesse sentido, o dia mais azado para a sua renúncia será no dia 1 de junho à tarde. Será quando o IBGE anunciará oficialmente os resultados do PIB do primeiro trimestre de 2017, confirmando uma elevação acima de 1% revertendo a tendência de queda dos períodos anteriores.

Como se trata de uma apuração do já ocorrido, não é impactado com a nova crise que só será computada para o PIB do 2º trimestre.

Poderá se apropriar desse resultado positivo, indicando todas as medidas por ele adotadas, como a lei do teto, a liberação das contas inativas do FGTS e outras e afirmar que deixa o país recuperado e que se sacrifica para que sustentar o crescimento. Só ele e Marcela acreditarão. Ou nem ela. Mas deixará o registro.

Se perder a oportunidade terá o mesmo destino de Eduardo Cunha. Na melhor das hipóteses o de Dilma - esse por enquanto.

Somente se a economia continuar melhorando, infenso à turbulência política, o que é pouco provável, mas não impossível, ele postergará um pouco mais o seu mandato.

Será derrotado no TSE e no STF e terá que sair como cassado. Pior para sua biografia que, seria o ativo que ele quer preservar. Mas que virou, na realidade, um grande passivo, pela sua estupidez.

Em todos os cenários, o Brasil terá que se preparar para a eleição indireta de um novo Presidente e Vice. A perspectiva de uma eleição direta é pouco provável, embora desejada pelas vozes das avenidas.

Jorge Hori

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