Jorge Hori

Articulista

A falha estratégica e a perda de oportunidade histórica

Herman Benjamin se preparou bem. Em plenário foi um grande lutador, mas foi derrotado por uma falha estratégica.

No afã de usar o notório e sabido publicamente descuidou do processo judicial, por onde os adversário acabaram marcando mais gols. Pode ter o consolo de perder, com dignidade. E ser ovacionado pela plateia, formada preponderantemente pelos adeptos ou favoráveis à erradicação da corrupção.

Mas perdeu o jogo. Por falhas estratégicas.

A petição inicial, promovida pelo PSDB, questionava o uso de doações legais da Odebrecht e empreiteiras. Ou seja caixa 1, mas com abuso de poder econômico.

Foi ai que Benjamin cometeu a falha. As investigações adicionais eram necessárias para comprovar como essas doações legais se constituíam em abuso de poder econômico.

Estava na origem dos recursos. Superfaturamento em obras ‘arrumadas’ pelo então Governo Dilma, continuando o que foi montado durante o Governo Lula. Com muitas comprovações.

Mas ele preferiu um caminho supostamente mais aceito. O de buscar o Caixa 2 para comprovar a existência de corrupção. Deu margem aos adversários que estavam esperando uma brecha para chegar ao gol e acharam. Deixado por falha do relator. Por que ele preferiu montar o jogo para a plateia e não para o campo.

Teve a grande oportunidade para um trabalho didático contra a corrupção. De como a propina foi lavada oficialmente pela transformação em doação oficial? E como foi aceita, ao longo de muito tempo, como normal e legal pela Justiça Eleitoral.

A Justiça Eleitoral, na prática, foi cúmplice - embora envolvida - dos procedimentos supostamente legais das organizações criminosas. Ela deu o aval às práticas. E nunca buscou se aprofundar na pesquisa ou investigação das origens dos recursos doados legalmente.

O relator teve a oportunidade de desvendar, mas preferiu o caminho popular. Perderam ele e a sociedade brasileira.

Lamentável, lamentável.

É fundamental reconhecer a realidade dos fatos e não ter visões emotivas que acabam sendo vencidas. Com perda de oportunidades históricas. Como a desta semana.

Jorge Hori

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