Matheus Dal'Pizzol

Opiniões descompromissadas.

Projeto de lei que obriga fabricação de carros obsoletos amarra o brasileiro às “carroças” nacionais

Parece uma dessas excrescências que lemos em livros de história sobre o antigo regime soviético. Uma versão modificada dos planos quinquenais de Stalin. Mas infelizmente estamos falando do Brasil do século XXI.

A Comissão de Defesa do Consumidor aprovou substitutivo de autoria do deputado Chico Lopes (PCdoB-CE) que impede montadoras de lançar atualizações de modelos de veículos durante o ano, podendo fazê-lo apenas a partir do mês de setembro. Além disso, as montadoras são obrigadas a produzir os modelos lançados por pelo menos dez anos, mesmo que esses modelos não sejam mais demandados.

Não é preciso ser um grande intelectual para perceber a quantidade de consequências negativas que resultarão de tais medidas. Mas parece que nenhuma delas importa aos excelentíssimos envolvidos. O interessante mesmo é reviver a época besta do nacionalismo desenvolvimentista dos carros Gurgel ou os planos estatólatras que pariram os Ladas.

Em primeiro lugar, é fato claro que o Brasil deixa de receber dúzias e dúzias de novos modelos todos o anos, e há mais dúzias e dúzias de razões para tal. Agora, se alguém tinha esperanças de começar a ver alguns Taurus pelas concessionárias Brasil afora, pode ir deixando o sonho de lado, a não ser que resolva abandonar o barco verde-amarelo. Se as montadoras já eram cautelosas ao escolher que modelos trazer para o Brasil, o projeto torna a tarefa praticamente impossível.

Não é difícil entender: se você fosse um dono de montadora, arriscaria submeter-se a uma legislação que irá te obrigar a fabricar um modelo durante dez anos mesmo sem saber se o modelo terá boa recepção no mercado?

O projeto eleva os custos e os riscos envolvidos não só para novos modelos, mas para modelos já existente e que seriam atualizados, gerando distorções que impedem os agentes de mercado de alocar recursos financeiros, materiais e humanos corretamente, resultam em desperdício desses recursos.

O resultado mais provável é que as montadoras deixem de investir no país, optando por outros com legislações mais flexíveis. E é aqui que começam aparecer outras consequências não previstas pelos “burocratas amigos do povo”: Sem investimento, para onde vão os funcionários das montadoras?

O projeto não tem absolutamente nada a oferecer além de fuga de capitais, desemprego e o autoritarismo que condenará o brasileiro a viver ainda mais firmemente amarrado às suas “carroças” nacionais financiadas em 400 vezes. E os responsáveis ainda serão vistos como heróis por “proteger os  consumidores da montadoras gananciosas”.

Matheus Dal'Pizzol

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