Eduardo Affonso

É arquiteto no Rio de Janeiro.

Velhos partidos, repletos de corruptos, buscam nova embalagem

Siglas ainda são maioria na política brasileira, mas parece que estão com os dias contados.

A tendência da estação é o nome-conceito, o dois-em-um de a denominação ser também o seu slogan – ou, quem sabe, grito de guerra.

Aproveitando a onda de refundação dos partidos (a alternativa é o afundamento, na tsunami de denúncias que só não atingiu – por enquanto – a tia do cafezinho), os partidos buscam novos nomes – não no sentido de novas pessoas, mas novas embalagens com prazo de validade estendido para o velho produto vencido de sempre.

Alguém faz ideia do que signifiquem PCO, PMB, PRB, PSDC, PRP, PMN ou PTC? Qual a diferença programática, pecuniária ou ideológica entre eles?

O nome-conceito ajuda o partido não apenas a se reposicionar no mercado como também lhe confere destaque na vitrine eleitoral.

A moda começou a embalar com a REDE, peça de tecido resistente suspensa pelas extremidades, usada por uma senhora acriana para dormir o ano inteiro e, quando lhe é conveniente dar sinal de vida, ir pra lá e pra cá em conversas moles (sem sair do lugar).

Antes, já havia o SOLIDARIEDADE, partido solidário ao imposto sindical, e o PROS, que é contra as drogas e a favor da lei da gravidade.

Tem o PODEMOS, que pode tudo: apoiou Jânio Quadros, Dilma e Aécio.

E o PEN, que, com esse nome (homenagem involuntária à Marine Le Pen? Indicação de que se pode apagar facilmente o que escreveu?) não iria muito longe. Agora, com o Bolsonaro, pretende endurecer, ser mais pulsante e ter maior penetração popular.

Sem falar do NOVO, cujo número deveria ser, sei lá, 18, 19 no máximo, não 30 (não confie em ninguém com mais de 30!).

O NOVO não aceita mais de uma reeleição consecutiva e exige que filiados e candidatos tenham ficha limpa e sejam alfabetizados – ou seja, tem tudo para aumentar o índice de mortalidade infantil entre os partidos.

O DEMOCRATAS, pioneiro dos sem-sigla, tinha resolvido ir na contramão e mudar o nome para CD (Centro Democrático). Talvez alertado para o fato de CD ser uma coisa que toca de um lado só (nada a ver para um partido de centro-liberal-conservador) e significar também “cross dresser” (aquele que quer vivenciar, na aparência, um gênero que não é o seu – o bom e velho travesti), mudou de ideia e vai se chamar MUDE. Possivelmente, para não mudar nada.

Resta ver o que farão os tucanos (quem sabe um novo ninho chamado Centro Apolítico Governista Alternativo Moderado da Ordem Social, o CAGAMOS). Porque o que resta do PT vai ser mesmo Liga Universitária da Luta Armada – única maneira de haver LULA na política depois de 2018.

Eduardo Affonso

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É arquiteto no Rio de Janeiro.

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