Roberto Corrêa Ribeiro de Oliveira

Médico anestesiologista, socorrista e professor universitário

O Brasil está produzindo uma geração de médicos endividados (veja o vídeo)

A dívida pode chegar até R$ 1,5 milhão ao final do pagamento do financiamento.

Isso mesmo, estamos criando um exército de médicos endividados, futuros reféns do Governo Federal e de suas políticas inconsequentes de governo.

Em outras palavras, foi isso o que afirmou o Deputado Federal de MS, Mandetta, em um encontro com médicos em Brasília, no final do mês de agosto, que analisava e discutia, o futuro da medicina brasileira.

O que relata em sua explanação chega a ser assustador, e levaria, provavelmente, muitas famílias de jovens humildes que sonham em formar o seu primeiro médico, mas que dependem do Financiamento Estudantil Federal - FIES, à reverem o seu sonho.

Analisemos: Quanto sairá devendo ao governo federal um jovem médico que financia 100% de seu curso?

O resultado chega a ser assustador, e pode chegar ao custo final de R$ 1.5 milhão, se o jovem médico utilizar os 18 anos permitidos para quitar a sua dívida.

Se não houver uma maior conscientização e mobilização da categoria, toda a sociedade poderá ser prejudicada.

Vários são os outros problemas que agravam a situação:

• Abertura de grande número de faculdades de medicina (de 148 para mais de 300) que jogarão um enorme número de profissionais no mercado (35.000 médicos por ano - meta do governo),

• Abertura de nosso mercado aos profissionais de países vizinhos pertencentes ao MERCOSUL, sem a realização de provas de revalidação do diploma médico (médico plantonista de UTI na Argentina recebe 1/3 do valor pago ao plantonista brasileiro);

• Queda na remuneração médica devido ao enorme número de profissionais ofertados no mercado;

• Perda da qualidade do profissional que atende à população devido a desproporção existente na relação de alunos graduados X vagas de residência médica;

• Falta de um plano de carreira e salários;

• Invasão de outras profissões em áreas antes restrito aos médicos e sem a devida qualificação profissional.

Qual será o futuro da medicina brasileira?

Será uma boa escolha fazer medicina atualmente no Brasil?

Essas foram algumas perguntas lançadas, à plateia, pelo ilustre deputado Mandetta, que vêm lutando de forma heroica pela defesa de uma saúde pública brasileira de qualidade e pelos interesses de nossos médicos.

A situação é realmente preocupante.

Não podemos ficar apáticos e esperando esses problemas chegarem até nós. 

Só uma atitude pró ativa, dos homens e das mulheres que optaram por essa linda e árdua profissão, poderá amenizar, e, quem sabe, reverter, em um futuro próximo, este placar desfavorável.

Os médicos precisam se fazer representar nos cargos legislativos, seja à nível municipal, estadual e/ou federal.

Só ocupando uma boa porcentagem dessas cadeiras poderemos tomar importantes decisões que beneficiarão não só à classe médica, mas também à toda sociedade.

É imprescindível o equilíbrio entre os interesses sociais e os interesses da categoria sob pena de não conseguirmos o apoio da comunidade, para atingirmos os nossos objetivos.

Ou nos unimos agora ou seremos destruídos.

Obs: Essa foi a minha interpretação da mensagem passada pelo deputado federal do MS, Mandetta.

Veja abaixo o vídeo que, como médico e cidadão brasileiro, concordo em gênero, número e grau.

Roberto Corrêa Ribeiro de Oliveira

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Médico anestesiologista, socorrista e professor universitário

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