Patrícia Barazetti

Psicóloga clínica e forense. Especialista em intervenções psicossociais. Mestre em Educação. Professora em cursos de graduação e pós-graduação. Pesquisadora em assuntos relacionados a temas sociais, envolvendo adolescentes infratores, crianças vítimas de violência sexual, serial killers e outras formas de violência. Atua em casos jurídicos de grande repercussão nacional e internacional.

O caos tomou a ordem

De fato me questiono se já houve em algum momento a ordem.

Vivemos um tempo em que se estabeleceu o verdadeiro caos. No Brasil, as coisas vão de mal a pior, políticos corruptos brotam nos espaços públicos, perversos exibem seus comportamentos repulsivos e machucam não só o corpo mas a alma de crianças, sujeitos matam, como se matar fizesse parte de comportamentos cotidianos esperados por todos nós. 

Não bastasse o caos estabelecido, a mídia promove no inconsciente coletivo a sigla do poder através da transgressão e criminalidade, pois lá, estampado em horário nobre o bandido desfruta de honras e pompas, imprimindo no imaginário do senso comum um exemplo de sucesso.

Alguns grandes teóricos da Psicologia defendem a ideia de que é realmente do caos que se estabelece a ordem, e compreendendo a situação por este prisma, devíamos desta forma, iniciar o estabelecimento desta ordem, estando intimamente ligada à moral.

Moral e ética por sua vez andariam juntas, pois a moral é dada ao sujeito humano, sendo este dotado da capacidade de refletir, espera-se então que este reflita pelo bem comum. A realização do bem se torna hábito quando uma pessoa interioriza a moral como verdadeira atitude, modificarmos nossas atitudes não é tarefa fácil, porém constantemente necessária.

As estatísticas confirmam, o Brasil lidera o número de assassinatos no mundo, os números chegam ao patamar de 60 mil por ano, negros e jovens e de baixa escolaridade continuam sendo a maior parte das vítimas, denuncias de violência sexual chegam a 50 por dia, porém acredita-se que representem 10% dos casos, as meninas são as maiores vítimas e tem idade de 4 à 11 anos, a cada 100 mil mulheres, 4,8 delas são assassinadas, oportunizando ao Brasil mais um ranking de 5º lugar entre os países com este tipo de crime, por ai a fora poderíamos seguir com crimes de homofobia, violência no trânsito, violência contra idosos.

Como canta, Canção para uma menina maltratada, de Celso Gutfreind, “Stop, a poesia parou. Ou foi a humanidade?” De fato parou, parou a moral, a ética, a boa fé, a boa família, os bons costumes, e desta forma parou a humanidade, pois é disso que deveríamos ser feitos.

No entanto sigo em frente me questionando, não sobre o que podem fazer os governantes, os grandes empresários, os comandantes, mas me questiono sim sobre o que nós podemos fazer? O que podemos fazer aos nossos filhos enquanto bons pais, que ensinam o limite a ordem e a moral? O que podemos fazer às nossas escolas enquanto participantes sociais ativos? O que podemos fazer pelo outro ao nosso lado? Acredito sim que são de pequenos feitos que ocorrem as grandes mudanças, e onde houver moral somada a atitude não mais precisaremos nos preocupar com punição.

Eu, dentro de minhas possibilidades estou procurando cumprir com meu papel, sem pretensão de tornar-me exemplo, mas o faço com alma e coração, simplesmente porque acredito que é de nós que parte a necessária mudança.

E você o que pretende fazer hoje?

Patrícia Barazetti

Psicóloga clínica e forense. Especialista em intervenções psicossociais. Mestre em Educação. Professora em cursos de graduação e pós-graduação. Pesquisadora em assuntos relacionados a temas sociais, envolvendo adolescentes infratores, crianças vítimas de violência sexual, serial killers e outras formas de violência. Atua em casos jurídicos de grande repercussão nacional e internacional.

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