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A infidelidade virtual

Por Niceas Romeo Zanchett

A internet trouxe nova formas de prazer sexual e muitos estão substituindo o relacionamento com parceiro ou parceira pela facilidade virtual. 
É na internet que o sexo virtual rola em todos os cantos do planeta. 
São inúmeras as possibilidades que permitem ao internauta viver suas fantasias mais secretas. Na verdade todos temos fantasias eróticas  que nem às paredes confessamos. A internet facilita a realização de fantasias do inconsciente porque garante o anonimato do usuário. Além disso permite liberdade total para criar novas identidades. Essa identidade individual variável exerce um poderoso fascínio sobre nós. Todos somos seres múltiplos e com a simulação já não estaremos mais sozinhos e com uma única identidade que é real e nem sempre nos agrada. 
A garantia do anonimato e a facilidade de troca de identidade incentivam o aparecimento de um fenômeno que a psicanálise identifica como "personalidades múltiplas". Podemos assumir centenas de outras identidades para o prazer sexual que preferimos. Na tela se projetam nossas fantasias sexuais mais profundas, muitas vezes infantis e inconscientes, que só se realizam no plano imaginário.  Essas novas identidades podem se apresentar como homem mulher, jovem, velho, tímido, ousado, gay, lésbica, etc. mas é preciso tomar cuidado para que o hábito não se torne patológico; nesse caso haverá o risco de até infringir a lei, como temos visto acontecer com os pedófilos. Isso pode acontecer quando o internauta fica viciado em sexo virtual e perde o interesse pelo real.  As personalidades múltiplas vão ficando cada vez mais distantes da realidade e até o orgasmo se torna fantasia e já não consegue alcançar o prazer do ato sexual real. 
Quando Freud escreveu "A Interpretação dos Sonhos" não poderia imaginar o sexo virtual, mas falou das nossas fantasias que realizamos através dos sonhos ou dos devaneios que são fantasias de quem sonha acordado. 
O ideal do sexo online é quando ele nos dá a possibilidade de transformá-lo em off-line, ou seja, torná-lo realidade. Mas é bom tomar muito cuidado quando marcar um encontro com desconhecido; Além dos riscos com DST, que hoje estão disseminados, pode haver riscos inimagináveis. As pessoas que usam sites de relacionamento, antes de um encontro propriamente, é bom procurar conhecer bem a pessoa com quem está se relacionando virtualmente. Pesquise seu nome na internet, procure conhecê-lo pessoalmente em lugar público e nunca vá diretamente ao relacionamento sexual sem absoluta confiança. 
Nas trocas de mensagens online onde se reúnem vários participantes, conhecidos como "chats", os internautas se identificam por apelidos e se divertem criando personagens para si mesmos, com opiniões e estilos de vida inteiramente diversos dos verdadeiros usuários. O anonimato e o contato real com alguém do outro lado permitem aflorar sentimentos que muitas vezes nem conhecíamos. 
Quando falo da infidelidade virtual posso afirmar com absoluta certeza que é mais comum do que se imagina. Pode ser por simples prazer, mas também pode ser por uma fuga para casamentos  ou relacionamentos infelizes, onde as pessoas buscam o prazer sexual de acordo com suas preferências. Na maioria das vezes é apenas mais uma forma de prazer sexual que em nada prejudica o parceiro. 
Do ponto de vista jurídico, frequentar páginas sexuais na internet não caracteriza adultério. A lei só considera adultério o flagrante do ato sexual real, e isto é extremamente difícil.  Entretanto os juristas consideram esta prática altamente injuriosa com o parceiro e muitas são as separações judiciais com base em infidelidade virtual. Na maioria das vezes trata-se de uma desculpa para justificar a separação de um casal, cujo relacionamento já está falido à muito tempo. Os advogados, por sua vez, procuram motivos para melhor atender aos seus clientes. 
O sexo virtual é muito comumente associado à masturbação. As imagens eróticas e sexuais na telinha excitam e levam ao orgasmo pelo auto-erotismo. Isto pode ser muito saudável porque o praticante tem a oportunidade de se auto-conhecer cada vez mais. As mulheres que praticam masturbação frequentemente tem muito mais facilidade com a lubrificação de suas vaginas e assim conseguem estar rapidamente preparadas para a penetração. 
Há alguns anos uma leitora mandou-me um e-mail dizendo-se apavorada porque surpreendeu o marido se masturbando enquanto assistia um filme pornô no computador. Disse-me ela: "Foi muito constrangedor; nunca vou esquecer aquela cena. Depois daquele dia, sempre que fazemos amor fico imaginando que ele não sente mais prazer comigo". Aconselhei-a a passar a ver filmes pornôs com o marido e tudo ficou resolvido. Juntos descobriram novas fontes de prazer.
Casos de flagrantes como esse da leitora são muito comuns, mas não há porque se preocupar. A masturbação do parceiro ou parceira é apenas mais uma forma de prazer e isto não quer dizer que a tesão acabou. 
Embora seja muito natural,  cada um tem sua própria maneira de encarar a masturbação porque durante muitos anos foi motivo de grande tabu. Hoje sabemos que é uma das maneiras que a natureza nos proporcionou para o auto aprendizado sexual. Entretanto, quem tem alguém em sua vida deve tomar cuidados com suas intimidades inconfessáveis. Assim evitará constrangimentos e até ressentimentos desnecessários.  
Nicéas Romeo Zanchett 


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