Andrea Luz - traço e gesto divinos nas mãos da artista

A arte serve o Homem

Ontem, 10 de junho de 2018, aconteceu em Campo Grande, capital do Mato Grosso do Sul, mais uma edição da Feira da Bolívia. Evento cultural já tradicional no calendário local.

Foi uma edição atípica. O frio deu uma trégua, e o sol também. A temperatura amena, nível de insolação quase nulo, podemos dizer, com algum exagero, que o clima era “temperado”.

Como sempre, as crianças corriam e brincavam em meio às barraquinhas, que por sua vez expõem um sem-número de produtos. De objetos ‘antigos’ de colecionador, a temperos exóticos, arte pra todo gosto, beleza pra todo encanto, e disposição pro deleite geral são regras.

Uma das muitas barracas é feita uma nascente de água fresca, pra minha sede de perfeição. Sempre saio em busca dum golinho ou golão, na produção de Andrea Luz, amiga querida, artista talentosa com quem dividi bancos de cadeiras no curso de Arquitetura e Urbanismo, entre 1996 e 1997. Embora eu tenha abandonado o curso no terceiro semestre, Andrea Luz graduou-se arquiteta.

Numa dinâmica curiosa, Andrea procurou um curso de desenho a mão livre para atender a demanda de croquis na faculdade de arquitetura. Foi convidada a expor pela primeira vez a partir desse curso, tendo produzido apenas em âmbito acadêmico. Daí então foi realizar a série da primeira exposição, cujo tema traz na alma, latejando afinidade e paixão: índios. Tema que permanece em pauta ainda hoje.

Hoje Andrea investe na graduação em Artes Visuais da UFMS, demonstrando cada um tem seu tempo e que há tempo pra tudo. Que o destino às vezes se dá de forma improvável e que escrevemos certo por linhas tortas, sim Senhor.

O trabalho de Andrea Luz caminha para o hiper-realismo. Aparentemente, proporções, traço, volumetria, há muito deixaram de ser o foco do esforço da artista. Isso já flui naturalmente à imagem e semelhança da própria Criação.

Fica patente então que o empenho da artista à altura da carreira é a manutenção da serenidade e da paz em si, pra que manifeste pra gente aqui fora, a luz que emana de cada ser vivo, como fruto do amor divino, acessível a todos nós, pela bênção da convivência pacífica harmoniosa.

Os passarinhos são retratados como se não houvessem arapucas, bodoques ou estilingues. Como se pedrinhas servissem só ao anúncio da próxima serenata, estalando seco na vidraça da felizarda. O homem é iluminado pelo pastel seco com a Luz com que Andrea traz, não por acaso, no próprio nome - como se todos nos tratássemos com o amor que um dia seremos.

Andrea Luz manifesta hoje no papel, o mundo que construímos pra viver amanhã, a cada gesto de amor, a cada olhar caridoso, a cada abraço fraterno, cada beijo saudoso.

É possível encontrar a artista que expressa a criação divina como a própria Criação faz, ali, trabalhando na praça.

Depois de toda conversa com minha amiga, olhei fundo nos olhos do passarinho azul, entendendo o que ele me dizia, tanta coisa expressa naqueles olhos, de brilho perfeito, de dor saliente e muita esperança.

Despedi-me de Andrea com um forte e emocionado abraço, trouxe comigo a Luz...e o passarinho azul.

*Andrea Luz disponibiliza mais informações por telefone: (67) 98170-5636

João Henrique de Miranda Sá

Jornalista independente em Campo Grande - MS.

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