O Brasil é a crise e a "cereja do bolo" é o Judiciário

O Brasil é quase um milagre. Sabe aquele paciente que foi atropelado por um caminhão, rolou ribanceira abaixo, caiu na fogueira, tomou 12 facadas e ainda chegou vivo no hospital? Pois é. O Brasil é por aí... A crise de hoje, não é de hoje. É de sempre. O Brasil é a crise.

Quem achou que trocar Dilma por Temer, acabaria com a crise no país, foi no mínimo pueril. Nunca achei isso. Talvez, o único ganho tenha sido, reduzir a velocidade e a amplitude do estrago. Talvez. Trocamos uma Lamborghini correndo a 200 km/h em direção ao abismo, por uma Land Rover a 100 km/h em direção ao muro. Temer não causou a crise. Temer faz parte dela há muitos mandatos. Assim como todos os outros políticos “de carreira”. Temer está na cadeira da presidência, apenas pra que ela não fique vazia. Poderia ser a Cuca, o boneco do Chuck ou o boitatá.

Não existe Papai Noel, coelho da Páscoa ou milagre. Não se resolve uma crise dessa gravidade, sem medidas, sem providências. E que providência Temer e seu staff tomou? Nenhuma. Temer cumpriu o papel esperado (não o desejado) a altura do seu nanismo moral e patriótico. Apenas se empenhou com afinco em salvar seu próprio mandato. E nisso se resume o executivo da nação.

Mas Temer não fica sozinho no palco da governabilidade. O legislativo é tão ruim e patético, que quase faz a gente pensar que o tio Temer é até gente boa. O conjunto Senado-Câmara é tão ralé, tão inescrupuloso, que seria capaz de fazer o Marquês de Sade se sentir um monge capuchinho. Se alguém cercar vira hospício. Se jogar uma lona em cima é circo. Se botar uma luz vermelha na entrada, vira o que sempre foi: lugar de gente má afamada. Deputados e senadores são especialistas em assassinatos. Assassinam o erário, as esperanças do povo, a moral e quando abrem a boca, o português.

E pra completar o tripé republicano, a cereja do bolo. O judiciário! Ou mais especificamente, a síntese do nonsense nacional: o STF. Uma gente indicada por políticos carreiristas, sabatinada (essa é uma das maiores mentiras que conheço) e referendada por um congresso da pior estirpe, que acham que estão acima da lei, que não podem ser investigados, que não devem satisfações e explicações a ninguém e pra piorar, a vontade de 3 ou 4 deles está acima da vontade de 200 milhões de brasileiros. E a cada instante “desdecidem” o que estava decidido. Invalidam o que eles decidiram como válido. Acham injusto criminoso na prisão, anulam provas, inocentam culpados...

A pantomima deles é tão bem elaborada, que passam horas intermináveis falando uma linguagem inacessível a gente comum, discutindo assuntos na maioria das vezes sem nenhuma relevância, para de forma teatral iludir os simples, fazendo de conta que são necessários ao bom funcionamento da nação.

A única função das “excelências” é embaralhar o conceito de certo e errado na cabeça do cidadão comum. De onde se conclui que é a instituição mais imprestável, maléfica e desnecessária do país.

O bacana é saber que nunca receberam um voto sequer de qualquer brasileiro e determinam os destinos desses 200 milhões.

Como boa rapariga, não reclama do serviço, ainda mandam a conta deste imbróglio todo pra sociedade pagar. Quando falam de crise no Brasil, titubeio. Que crise? Este é o estado normal das coisas por aqui. Chama-se isso por aqui de democracia, governabilidade, república e etc...

Os estrangeiros, os loucos e revoltados chamam isso de deboche, afronta e ofensa.

(Texto de Adriana Lisboa. Médica em SC)

da Redação

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