Carlos Fernando diz que “os ratos estão reagindo” e revela como a Lava Jato conseguiu avançar

Para o procurador Carlos Fernando dos Santos Lima, um dos mais experientes investigadores do país, especialista em casos de corrupção e crimes do colarinho branco, ‘a mais nova ofensiva contra a operação Lava Jato é reflexo direto do sucesso das investigações, que passaram a incomodar todos os lados da política'.

Em entrevista para a Revista Crusoé, o procurador fez a seguinte analogia entre políticos, ratos e a mais nova onda de ataques à Lava Jato:

“O rato é muito menor que o ser humano e vai fugir normalmente (quando atacado). Se você encurralá-lo, contudo, ele vai reagir e possivelmente causar danos. O que nós estamos vendo hoje é um sistema encurralado pelas descobertas da operação Lava Jato e que reage.”
Carlos Fernando vê o atual momento da operação como um dos mais delicados desde que o esquema da Petrobras, um consórcio entre políticos e empreiteiras para pilhar os cofres da estatal, passou a ser implodido pela investigação.

“Se antes uma parcela dos políticos defendia a operação enquanto os alvos eram seus adversários, agora que ela se espraiou sobre integrantes de praticamente todos os grandes partidos do país, há um esforço conjunto para torpedeá-la. Os sinais dessa reação são vários, e vêm de diferentes direções. No Congresso, políticos enrolados nas investigações se empenham para abrir uma CPI cujo objetivo, velado, é questionar os métodos da operação.”

Na última terça-feira, a Lava Jato sofreu um grande revés da Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal, um conhecido front de oposição à operação no Judiciário.

Em algumas horas, o trio formado por Gilmar Mendes, Dias Toffoli e Ricardo Lewandowski, que forma no colegiado a maioria dos sonhos para qualquer investigado, soltou o ex-ministro petista José Dirceu, atropelando a decisão do plenário da corte que autorizou prisões em segunda instância.

A turma também libertou João Carlos Genu, acusado de ser operador do PP no mensalão e no petrolão, e invalidou buscas da polícia que colheram provas no apartamento da senadora petista Gleisi Hoffmann.

Na mesma leva, os ministros trancaram um processo que não tem a ver diretamente com a Lava Jato, mas que surgiu na esteira do ambiente criado pela operação e pôs no banco dos réus o deputado paulista Fernando Capez, do PSDB, acusado de participar do desvio de 1 milhão de reais da merenda escolar.

O trio decidiu trancar a ação penal que o tucano respondia na Justiça de São Paulo.

A Revelação

Na Lava Jato, sobrevivemos porque conseguimos manter a frente política desunida, no sentido de que um acreditava que somente o outro era objeto da investigação. Descobriram, talvez um pouco tarde, que nós não tínhamos preferência partidária e que iríamos até onde as provas nos levassem. Hoje estamos vendo uma união do “salve-se quem puder”, daqueles que querem salvar o sistema tal qual ele existia antes. Agora nós estamos enfrentando aquilo que poderia ter aparecido no começo e, felizmente, não apareceu, que é uma reação conjunta, de modo a interromper as investigações da Lava Jato e todas as decorrências e esperanças da operação.
Fonte: Revista Crusoé

da Redação

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