Mais um ex-presidente, parceiro de Lula, tem prisão decretada

O ex-presidente do Equador Rafael Corrêa está com uma ordem de prisão preventiva decretada pela justiça equatoriana.

Assim como Lula no Brasil, Corrêa, que se encontra refugiado na Bélgica, alega que 'não há provas da acusação e considerou a ordem de prisão preventiva parte de um complô e de uma farsa contra ele e seu legado'.

Rafael Correa é acusado de ser o mentor intelectual do sequestro do ex-deputado opositor Fernando Balda, em 2012 na Colômbia.

O ex-presidente descumpriu a ordem cautelar de se apresentar a cada 15 dias na Seção Penal do Tribunal, na capital, Quito, dai a medida extrema de decretação da prisão.

Fernando Balda foi sequestrado em 13 de agosto de 2012 em Bogotá. Ele foi cercado por homens armados, mas a ação foi vista por um taxista, que chamou a polícia e iniciou a perseguição pelas ruas da capital colombiana.

Ele foi libertado quilômetros depois e os sequestradores fugiram. A investigação revelou que os autores haviam sido contratados por agentes secretos equatorianos. Um deles estava com o opositor minutos antes do crime e outros monitoravam seus passos.

Ex-membro da esquerdista Aliança País, partido de Correa e de seu sucessor e agora desafeto, Lenín Moreno, Balda tornou-se opositor em 2009, aliando-se ao ex-presidente Lucio Gutiérrez, então o principal rival do esquerdista.

O ex-deputado integrou a defesa do ministro da Defesa da Colômbia à época, o hoje presidente Juan Manuel Santos, processado no Equador pelo bombardeio ao país vizinho que terminou com a morte do líder das Farc, Raúl Reyes, em 2007.

Ao mesmo tempo, fazia críticas e acusava Correa de irregularidades como a de espionar políticos e jornalistas. Foi processado por injúria e recebeu asilo da Colômbia em 2010, concedido pelo então presidente, Álvaro Uribe.

Morando em Bogotá, continuou fazendo críticas e se aproximou do direitista, desafeto de Correa. Em 5 de julho de 2012 foi capturado por homens armados e levado para uma agência de imigração, sendo liberado na sequência.

O sequestro aconteceria um mês depois. Em outubro Balda foi deportado devido à decisão judicial do Equador sobre injúria e, já preso em Guayaquil, foi condenado a dois anos de prisão por atentar contra a segurança do Estado.

O ex-deputado foi libertado em 2014 e continuaria investigando quem esteve por trás de seu sequestro. Embora tenha apresentado queixa-crime no Equador em 2012, esta só foi aberta em janeiro passado pela Procuradoria.

O ex-presidente ainda é acusado pela Controladoria-Geral de manipular o limite da dívida pública e de crime de responsabilidade pelo endividamento do país com a venda antecipada de petróleo.

Fonte: Folha de S.Paulo

da Redação

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