A "tiburização" da (in)inteligência

05/07/2018 às 04:44 Ler na área do assinante

A mitologia grega é próspera ao nos ensinar que a busca da luz sempre foi um dos maiores desejos do homem.

É o que podemos inferir ao nos reportarmos a história do titã Prometeu, responsável pela criação do homem, juntamente com seu irmão Epimeteu, este responsável pela criação dos animais.

Epimeteu cumpriu a tarefa, dando a cada animal dons próprios, como astúcia, coragem, rapidez, sagacidade, etc.

Ao ver que os dons haviam se esgotado e o material para criação do homem também, Epimeteu pediu ajuda a Prometeu, que por sua vez decidiu roubar o fogo dos deuses do Olimpo, para colocá-lo dentro dos homens, a fim de se assegurar que fossem superiores aos animais.

Eduardo Galeno, em sua obra O Livro dos Abraços leciona, primorosamente, que o povo Nagual, também valorizava o fogo (símbolo da luz) ao dizer:

"Um homem da aldeia de Nagual, no litoral da Colômbia, conseguiu subir aos céus. Quando voltou, contou. Disse que tinha contemplado, lá do alto, a vida humana. E disse que somos um mar de fogueirinhas.

— O mundo é isso, revelou: um montão de gente, um mar de fogueirinhas.

Cada pessoa brilha com luz própria entre todas as outras. Não existem duas fogueiras iguais. Existem fogueiras grandes e fogueiras pequenas e fogueiras de todas as cores. Existe gente de fogo sereno, que nem percebe o vento, e gente de fogo louco, que enche o ar de chispas. Alguns fogos, fogos bobos, não alumiam nem queimam; mas outros incendeiam a vida com tamanha vontade que é impossível olhar para eles sem pestanejar, e quem chegar perto pega fogo."

Diz o jargão popular que uma imagem vale mais que 1.000 palavras.

A imagem PiToresca deste artigo, ainda mais, ao trazer Márcia Tiburi, um dos ícones dos "fogos bobos", na concepção de Eduardo Galeno e, ao meu entender, constata a "Tiburização" da (in)inteligência.

Trata-se de uma "filósofa que chegou ao cúmulo de propor (aos 51min e 38s), pasmem, em uma entrevista realizada em programa de TV aberta, que:

"""Eu penso assim: tem uma lógica no assalto. Tem uma lógica no assalto! Eu não tenho uma coisa que eu preciso. Eu fui contaminada pelo capitalismo. Começa a pensar do ponto de vista da inversão. Porque é assim... tem muitas coisas que são muito absurdas... se você vai olhar a lógica interna do processo você vai dizer... sabe que isso seria justo, dentro de um contexto tão injusto. Muitas violências são justas dentro de um contexto tão injusto""".

Para quem quiser conferir, segue o vídeo com a entrevista:

O sofisma que lançou mão referida "filósofa", jamais será argumento defensável para justificar ou reduzir desigualdades sociais, através da barbárie, da autotutela ou da instituição de um Estado de anomia.

Pobres filósofos, sejam vivos ou mortos, ao escutarem os ecos que trarão esta trágica declaração da referida "filósofa".

Mas, a "filósofa" não parou por aí.

Ela foi além, e pior, abaixo, quando em um seminário (aos 44min e 56s), pasmem, assim argumentou:

"""O cu é uma coisa muito boa na vida das pessoas. O cu sobretudo é laico, é das coisas mais laicas que há nesse mundo. Nesse país que está tudo neofundamentalista, neopentecostal, neoliberal, o cu é precioso. Então, a gente tem que libertar o cu""".

Para quem quiser conferir, segue o vídeo com a entrevista:

Vejam o "nivÉLLL" do vocabulário.

Vejam a (in)adequação, a (im)pertinência, e o (in)confundível vocabulário de uma (in)inteligência que é digna do que se compreende por abjeto.

Nem o mais rústico manual de filosofia disponível em rodoviárias validaria um argumento filosófico tão PedesTre.

Todos sabemos que cada um(a) faz o que quer com seu "monossílabo inferior traseiro".

Todavia, verdade seja dita, a linguagem é, ao meu entender, além de uma joia, também um verdadeiro divisor de águas.

Não estou propondo a utilização da linguagem prolixa, barroca, enfadonha, para distinguir quem é quem.

Não é este o ponto.

O ponto é zelar (ao menos um pouco) do elán, através da polidez.

O ponto é perceber o contraste e o contraditório que exsurgem, não raras vezes, daqueles que, no intuito de se julgarem maiores que os outros "se dizendo" detentores de tantos títulos, desvelam a incoerência e o grotesco, como pessoas que pouco ou nada absorveram dos "títulos" obtidos.

A linguagem PedesTre, e a PráTica mais ainda, de parte de quem é "sedizente detentor dos maiores títulos" denota apenas a intenção da "demonstração narcísica" do que se obteve, tão somente para "posar" com ar de uma superioridade inexistente.

É a casta do "grandes doutores" sem conteúdo algum, muito bem traduzida pela metáfora de quem pensa ser craque de futebol, mas jamais assimilou a importância de tratar bem a bola dentro e fora de campo.

São exatamente nestes casos que se desvela não a cultura no ofício que se tem, e sim a falta da mesma, quando a falta de polidez dá espaço, provavelmente por determinismo, ao péssimo exemplo.

Ninguém precisa ser "filósofo" para saber o óbvio ululante de que pode fazer com seu "monossílabo tônico traseiro" o que bem entender.

Paradoxalmente, convém, e muito, apreciar filosofia, para sorver cultura, através das mentes que são referências no campo do pensar e do refletir.

Não para ser melhor que alguém, nem tampouco para vencer quem quer que seja. Muito menos para aparentar superioridade.

Mas, para melhorar e vencer a si mesmo e para se lapidar.

Verniz e polimento sempre caem bem. Embora tenhamos de "respeitar" quem queira ser sempre uma pedra bruta, rechaçando o polimento (interior e exterior) e o verniz (interior e exterior), preferindo o primitivo e as sombras, mesmo estando de posse de bibliotecas, as quais na verdade demonstram, infelizmente, que os livros serviram apenas como pesos que não fizeram sentido algum.

A "Tiburização" é o avesso da cultura.

É uma ode ao primitivo e à incoerência, bem traduzidos pelo cúmulo de se usar uma camiseta nas cores verde-amarelo, para se reportar ao Brasil, com a imagem de um bandido condenado pela Justiça e com uma estrela do comunismo, ideologia que não vingou em nenhum país do mundo, sem reduzir, de forma proPosiTal, drasticamente as liberdades e garantias do indivíduo perante o Estado e ceifando a liberdade de pensamento e de expressão PraTicamente a "zero".

Na "Tiburização" da (in)inteligência é assim: a cultura e o patriotismo se sentem constrangidos.

Fogo... Luz... Escuridão.

Nada está no caminho do excesso.

Da mesma forma que o excesso de luz cega, a falta dela também.

É impressionante e compreensível, que sempre haverá quem queira permanecer na escuridão, embora queira empreender todos os esforços, até mesmo por linhas oblíquas, para que o mundo passe a aceitar que a escuridão seja algo que ilumine.

Pedro Lagomarcino

Advogado em Porto Alegre (RS)

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