Próximo do julgamento pelo assassinato do filho, Leandro Boldrini perde a fama de bom médico

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De acordo com estimativa do Ministério Público, o julgamento dos quatro réus que respondem pelo assassinato do garoto Bernardo Boldrini - o pai, o médico Leandro Boldrini, a madrasta, Graciele Ugulini, e os irmãos Edelvânia e Evandro Wirganovickz , amigos da família - deve ocorrer ainda em 2015.

Bernardo foi encontrado em uma cova na cidade de Frederico Westphalen (RS), dez dias depois de ter desaparecido de Três Passos, onde a família vivia.

Leandro Boldrini pode ainda vir a responder pela morte da mãe de Bernardo,

com quem foi casado e que, segundo apurou a polícia na época (2010), teria cometido suicídio.

O caso da morte da mãe de Bernardo Boldrini pode ter uma reviravolta, vez que foi reaberto a pedido de Jussara Uglione, avó materna do garoto. Existe a suspeita de que ela tenha sido vítima de homicídio, que teria sido praticado pelo ex-marido.

Por outro lado, começa a cair por terra a fama que Leandro Boldrini ainda sustentava de ser um bom e dedicado profissional.

A Justiça do Rio Grande do Sul confirmou em segunda instância a condenação de Boldrini por um erro médico cometido em uma cirurgia para a retirada de cálculos na vesícula, onde o médico foi considerado negligente.

O desembargador Paulo Roberto Lessa Franz concluiu, a partir dos laudos periciais, que o médico não levou em consideração as queixas da paciente, autora da ação, no pós-operatório. "Mesmo tendo reclamado sintomas que demandavam a necessidade de maiores cuidados, o requerido simplesmente deu alta hospitalar para a paciente. Tal conduta, manifestamente negligente e imperita, implicou na evolução do quadro para uma infecção generalizada que quase a levou a óbito", asseverou o magistrado. Seu voto foi seguido por dois outros desembargadores. A decisão unânime foi tomada ainda em julho, mas só veio a público neste mês de setembro.

O caso. Em fevereiro de 2009, Beloni Maria Linhar Junbeck se submeteu a uma videocolicistectomia para a retirada de um cálculo vesicular no Hospital de Caridade de Três Passos. O cirurgião responsável pelo procedimento era Leandro Boldrini, que trabalhou ao lado de outra médica, a anestesista Jeane Cristina Ribeiro Rino Guimarães, também condenada no processo.

Segundo o relato da mulher, dois dias após o procedimento, ela precisou ser novamente internada, dessa vez em uma UTI do município porque sentia fortes dores no local da cirurgia. Não havendo melhora do quadro clínico, a paciente foi então transferida para o Hospital de Clínicas de Porto Alegre, onde, após uma cirurgia de emergência, foi informada que, durante a operação para a retirada das pedras vesiculares, seu esôfago foi perfurado no procedimento de intubação.

Beloni, que receberá indenização pelas sequelas do problema, sofreu com descolamento de pele das suas costas em razão do longo tempo em que permaneceu deitada durante os dois meses de recuperação. Após a alta, a paciente teve a dieta controlada por uma equipe de nutricionistas durante um ano e, ao final do período de observação, precisou submeter-se a uma nova cirurgia, dessa vez para reconstruir o esôfago atingido na primeira operação.

Os médicos e a clínica de anesteseologia responsáveis pelos procedimentos foram condenados a pagar, solidariamente, pouco mais de 10 mil reais por danos materiais emergentes, 70 mil reais por danos morais e 50 mil reais por danos estéticos, além de uma pensão mensal vitalícia para a paciente no valor de um salário mínimo. O Hospital de Caridade de Três Passos, que havia sido considerado culpado pela primeira instância, foi absolvido pelo Tribunal de Justiça.

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da Redação
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