Você tem medo de quê?

Um amigo querido, me indagou pelo whatsapp o que achei da capa da revista Veja dessa semana.

Sem declarar simpatia ou querer provocar debate, entendo que a candidatura Bolsonaro está consolidada, é real e sua eleição, além de possível tem alto grau de probabilidade de ocorrer.

Explico. A sociedade brasileira está garroteada e tomada de sentimentos de descrença na classe política tradicional. Em todos os grandes centros urbanos (onde está concentrada o maior percentual da massa populacional) o Brasil vive em estado de guerra, onde pesquisas revelam que a maior, mais intensa e efetiva preocupação das pessoas é com a violência. Essa não é uma percepção intuitiva, ou um palpite. Vivemos em um estado efetivo de medo.

É tamanho o pavor que chegamos a evitar falar dele para tentar camuflar a sua presença.

Não vemos, mas sabemos que quem controla os cordéis que movimentam as marionetes desse jogo de horrores, tem objetivos muito maiores que o mero exercício do poder. Atrás da corrupção, todos sabemos, estão duas indústrias pesadas: drogas e armas.

O Estado brasileiro está infestado por quadrilhas de pilhadores, ladrões, traficantes e mafiosos em toda a sua estrutura.

E as perspectivas de mudança no comando desta horda são muito improváveis sem uma ação radical.

Os "capos" seguem unidos, agarrados ao poder. Formam facções e clãs de auto proteção em todo o país.

E esse sentimento de necessidade absoluta de ruptura com esta estrutura podre fica dia a dia mais claro para significativa parcela da população.

A onda do "Mito" começou com os jovens. Agora arrasta uma relevante parcela da silenciosa classe média. Se chegar nos bolsões de pobreza, teremos um tsunami sem precedentes.

Galopando num discurso de combate à violência, Bolsonaro une dois pontos do mesmo cordão. Demonstra atenção com um problema social gravíssimo, que é tratado orquestradamente com desprezo pelos bandoleiros políticos na proteção dos seus interesses; e ao mesmo tempo, dá perspectiva de atender ao anseio da sociedade de se auto proteger (fazendo o que o Estado não faz), que tendo votado em 2005 pela não aplicação do Estatuto do Desarmamento (63,94%), não foi ouvida.

O Cavalo de Troia vai ser galopado neste discurso político - que pouco a pouco, se consolida também eleitoralmente. Tudo o mais será pau de arrasto, morro acima em dia de chuva.

Assustado? Já ando assim não é de hoje...E não é só por causa do Bolsonaro!

Luiz Carlos Nemetz

Advogado.Vice-presidente e Chefe da Unidade de Representação em Santa Catarina na empresa Câmara Brasil-Rússia de Comércio, Indústria e Turismo e Sócio na empresa Nemetz & Kuhnen Advocacia

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