O rapaz suspeito de assassinato de médico no Rio de Janeiro. De quem é a culpa?

O menor foi abandonado pelos pais e não teve o amparo necessário do Estado.

O menor de 16 anos suspeito de ser o assassino do médico Jaime Gold, no Rio de Janeiro, foi apreendido pela primeira vez, acusado de ter roubado celular e dinheiro de um pedestre na Lagoa, Zona Sul do Rio, há cerca de cinco anos atrás. Era o início de intermináveis idas e vindas por delegacias. 

Na quinta-feira, o rapaz foi mais uma vez apreendido, o menor delinquente atingiu o ápice de sua carreira criminosa. É acusado de ter matado o médico para roubar a sua bicicleta.

Desde 2010, foram 15 passagens na polícia — por crimes como roubo, furto, desacato e tráfico — e nove no Departamento de Ações Socioeducativas (Degase). 

Em janeiro de 2011, seus pais foram indiciados pela polícia por abandono. 

Em um de seus depoimentos à polícia, no ano passado, a mãe do adolescente, de 55 anos, mostrou que já sabia que o filho estava trilhando o caminho do crime. Catadora de latas, papelão e garrafas pet, ela relatou que o menino cometia roubos e furtos desde 2010, e que ele já tinha aparecido em casa com um cordão de ouro. Ela contou ainda que o filho era usuário de maconha, e acreditava que muitas vezes ele comprava drogas com o dinheiro obtido em roubos.

A mãe, viúva do primeiro marido há 20 anos, relatou ainda que o pai de do garoto não participou da criação do filho, e sequer ajuda a sustentá-lo. O próprio menino relatou àpolícia que só viu o pai duas vezes na vida.

Aos 12 anos, ao ser recolhido na rua pelos policiais, o menor contou que costumava matar aula para ir à praia no Leblon e em Ipanema. Segundo o adolescente, sua mãe não sabia que ele ficava perambulando nas ruas. Ele dizia que jogava futebol.

No início de 2013, no entanto, abandonou a escola. 

Das seis vezes pelas quais passou por unidades do Degase, o adolescente foi liberado após ser entregue aos seus responsáveis.

da Redação

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