Querida Ana Amélia, o mundo é um moinho!

Confesso que por muitas vezes eu afirmei que se a senhora fosse candidata à Presidência da República, teria o meu voto, e garanto, de uma parte significativa de brasileiros. Mas não é pelo fato de a senhora ser mulher, pois a escolha por gênero, cor, raça ou opção sexual é um expediente mormente usado pela esquerda, cujo vazio ideológico e lógico precisa ser preenchido com banalidades e com as alternativas estúpidas baseadas em discursos incoerentes, já que a esquerda desconhece o que seja competência.

Minhas afirmações foram feitas pelo fato de a senhora ter sempre se mostrado uma parlamentar séria, íntegra, em cujos discursos pela moralidade política e pela ética, sempre demonstrou uma extrema firmeza e coragem, passando ao largo do seu próprio Partido, cujo número de bandidos supera até mesmo o PT. Minhas afirmações foram feitas pela mulher cuja bravura desmentia a tal "Amélia" cantada pelo canalha comunista Mário Lago, marcada pela subserviência e o subjugo.

Mas mas onde foi parar aquela Ana Amélia que eu via no Senado e que me encantava com os seus discursos?

Acordo pela manhã e vejo o meu chão praticamente desabar, sentindo-me traído pela mulher que ideologicamente amei, respeitei e com quem casei em pensamento político. Como assim aceitar ser Vice do Alckmim?

Ah, Ana Amélia... O que aconteceu contigo? Você que sim, era a mulher de verdade, de uma hora para outra se presta a servir de "viagra" para uma candidatura broxa, impotente, e aceita uma composição com a velha política viciada em acordões, nomeações e conchavos? Incompreensível, e eu diria até pouco tempo atrás: Inverossímil!.

Sim, sinto-me traído, mas não só eu como uma enorme legião de admiradores... ou ex-admiradores. Se é para lembrá-la em música, então que por justiça não seja a do já citado choldra Mário Lago, mas por contexto que seja pela música do grande Agenor de Oliveira, o Cartola, cuja sabedoria tomo em empréstimo para, através de uma de suas grandes obras , falar por mim e por todos os que um dia te admiraram:

"Preste atenção, querida, embora eu saiba que estás resolvida, em cada esquina cai um pouco a tua vida, em pouco tempo não serás mais o que és... Ouça-me bem, amor, preste atenção, o mundo é um moinho, vai triturar teus sonhos, tão mesquinho, vai reduzir as ilusões a pó. Preste atenção, querida... De cada amor tu herdarás só o cinismo, quando notares estás à beira do abismo... Abismo que cavaste com os teus pés". - O Mundo é Um Moinho (Cartola).

Ainda dá tempo de reconsiderar. Recuar muitas vezes é dar dois passos à frente. Mas cada político com sua consciência, se é que depois dessa ainda é possível acreditar que as duas coisas existam juntas.

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