Bolsonaro seria uma “ameaça à democracia” ou à oclocracia?

Depois das infundadas e fortes acusações contra Jair Bolsonaro, candidato à Presidente da República, de que ele seria uma “ameaça à democracia”, advindas de políticos, jornalistas, formadores de opinião, grandes jornais, partidos políticos, candidatos, Universidades e uma infinidade de “outros” desinformados e trapaceiros da política, é preciso que se coloque essa questão no seu devido lugar.

Para começo de conversa, com absoluta certeza, todos esses “acusadores” não fazem a mínima ideia do que seja uma verdadeira democracia. Esse modelo político que eles chamam de “democracia” não é, nem nunca foi uma democracia. É pura corrupção da democracia. E na verdade não poderia haver visão mais “caolha” que essa sobre a verdadeira democracia.

Em “Política”, Aristóteles classificava as formas de governo em duas grandes vertentes: as formas PURAS e as IMPURAS. As formas “puras”, seriam a MONARQUIA (governo de um só), a ARISTOCRACIA (governo dos mais capacitados), e a DEMOCRACIA (governo do povo). Já as formas “impuras” corresponderiam à TIRANIA, à OLIGARQUIA e à DEMAGOGIA, cada uma das quais representando, na ordem citada, a corrupção das formas puras antes enunciadas.

Mas Aristóteles somente deu o “pontapé” inicial nessa discussão, abrindo caminho para outros pensadores de primeira grandeza aperfeiçoarem os seus estudos e conclusões.

Decorreu quase dois séculos, após Aristóteles, e surgiu também na Antiga Grécia o geógrafo e historiador POLÍBIO (203 a.C-120 a.C).

Políbio substituiu a “demagogia”, que Aristóteles classificara como a forma “impura”, a corrupção da democracia, pelo que ele chamou de OCLOCRACIA, que apesar de abranger a demagogia, ampliava significativamente os vícios da democracia, que não são poucos. Mas tanto a “demagogia”, de Aristóteles, quanto a “oclocracia”, de Políbio, tinham em comum a degeneração da democracia.

Desse modo a “oclocracia” seria uma democracia meramente FORMAL, desprovida de qualquer substância, ou essência. Num dos seus polos estaria a massa ignara, ingênua, carente de consciência política, democraticamente desqualificada, portanto, presa fácil dos trapaceiros que vivem da política; e no outro polo, como “beneficiários” da oclocracia, a classe política constituída pela pior escória da sociedade, que faz da política uma profissão bem remunerada e muitas vezes corrupta, absolutamente incapaz de sobreviver por outros meios como os demais trabalhadores da sociedade.

O perfil desonesto dessa “gente” pode ser encontrado em boa amostragem nas diversas operações de combate à corrupção feitas pela Polícia Federal, como o “Mensalão” e a Operação” Lava Jato”, por exemplo.

Jamais uma democracia verdadeira poderia gerar uma “máquina” pública tão corrupta, mentirosa, ineficiente e “cara”, como a do Brasil.

Prova disso, por exemplo, está num estudo da Organização “Transparência Brasil” (apresentado no Programa Bom Dia Brasil, da Globo), com detalhes sobre o custo do Congresso Nacional, infinitamente superior ao de qualquer outro país muito mais rico e de Primeiro Mundo.

O mesmo se dá nos Poderes Executivo e Judiciário, onde os custos de manutenção superam os de qualquer outro país. Não seria esse um dos principais motivos pelos quais a cobrança de tributos no Brasil é “campeã” mundial, considerando o volume da arrecadação e o efetivo retorno à sociedade? E de onde viria o dinheiro da corrupção sistêmica? Não seria também dos escorchantes tributos exigidos da sociedade?

Mas concordo integralmente que Bolsonaro pode estar representando uma “ameaça à democracia”. Mas não à democracia verdadeira, porém à democracia deturpada, degenerada, corrompida, “às avessas”, ou seja, à OCLOCRACIA, tão bem representada pelos delinquentes da política que o acusam.

E se de fato Jair Bolsonaro representar uma “ameaça” contra essa “democracia”, certamente esse será o maior mérito da sua candidatura. Essa “democracia” não merece outro destino que não o de ser jogada ao “lixo”, com todos os seus “pertences” e defensores.

E se me fosse dado o direito de aconselhar o candidato Bolsonaro, creio que ele deveria avançar muito mais nas suas atitudes contra essa “democracia” deturpada. Parece que ele tem uma certa dificuldade de enxergar que, mesmo saindo vitorioso e tomando posse, jamais conseguiria governar como deveria se ficasse dependente da “democracia” do Congresso Nacional e da “justiça” do Supremo Tribunal Federal. Se quisesse fugir do fracasso, Bolsonaro teria que encontrar outros caminhos que não os das “vias normais”, de submissão à essa “democracia” e “Estado-de-Direito” corrompidos.

Por tais razões, Jair Bolsonaro não é nenhuma “ameaça à democracia”. Mas é uma ameaça, sim, à “oclocracia”.

Sérgio Alves de Oliveira

Advogado, sociólogo,  pósgraduado em Sociologia PUC/RS, ex-advogado da antiga CRT, ex-advogado da Auxiliadora Predial S/A ex-Presidente da Fundação CRT e da Associação Gaúcha de Entidades Fechadas de Previdência Privada, Presidente do Partido da República Farroupilha PRF (sem registro).

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