Nota de Luto - à memória de todos que dedicam suas vidas à Cultura

Á memória, às pessoas e ao trabalho.

É com relutância e indescritível dor que inicio esta breve e inevitável nota de luto frente ao incêndio do Museu Nacional do Rio de Janeiro, ontem, 2 de setembro de 2018.

Poucas coisas são tão desagradáveis quanto funesto hábito de tratar dos vícios do morto em pleno velório. Não serei eu – jornalista brasileiro nato, que assino esta coluna neste portal de notícias, tendo feito da cultura o tema central da linha editorial a que me valho o labor – a fazê-lo.

Só me resta o anúncio de que a cultura é pauta central do meu trabalho aqui e onde mais para ele houver espaço.

“Apenas escolha o que fazer. Não importa se médico ou pipoqueiro, desde que se esforce todo dia pra ser o melhor médico ou fazer a melhor pipoca possível, filho.” - ouvi em tenra idade e trago comigo feito regra.

Essa outras razões, me colocam no front, com todo respeito que meu país merece, com afinco e determinação, ao desfiar racional, dos fatos e contextos permeados pela cultura enquanto expressão humana, as suas ideias, sentimentos e afetos, gostos e anseios.

Afeta a todos nós o incêndio de ontem.

A Baía de Guanabara hoje é fruto do pranto da humanidade ofendida. O choro de quem preza a história, o luto de uns e a razão da luta de outros.

As mesmas chamas tiveram naquele acervo e edifício o combustível, já estão por mim convertidas em inesgotável combustível à luta que principiou discreta, há meses, neste espaço. E que nesta minha vida só cessará no fim irreversível de minha capacidade intelectual.

Luto é a palavra do dia, aos que perderam parte de si ontem.

Luto é a pauta de quem faz de toda dificuldade um degrau que o eleva, cedo ou tarde, à condição mais elevada.

Luto.

Bom dia.

João Henrique de Miranda Sá

Jornalista independente em Campo Grande - MS.

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