Os militares candidatos e o preço de ser minoria

Esse início é para chocar mesmo: “quem não sabe caminhar na merda, quando nela caminha, escorrega”.

Certamente no “embalo” e “empolgação” das candidaturas de dois militares na disputa pela Presidência e vice-presidência da República, respectivamente, o Capitão Jair Bolsonaro e o General Hamilton Mourão, nessa mesma esteira de turbulência estabeleceu-se uma verdadeira “correria” de grande parte população militar na disputa eleitoral, buscando mandatos no Legislativo e no Executivo.

Ocorre, meus amigos, que a democracia deturpada que se pratica no Brasil desde que implantada a “tal” República, jamais deu certo. Ela sempre foi dominada por elementos retirados da pior escória da sociedade. Aí está a origem da OCLOCRACIA, que tomou indevidamente o lugar da democracia, corrompendo-a, e que tem como uma das suas principais características a “cleptocracia”, ou seja, o regime da ladroagem infinita de políticos e administradores públicos contra o erário.

E nessas oclocracias, o “rebanho” eleitoral prefere muito mais os patifes que se aproveitam da política do que os candidatos bem intencionados e mais capacitados.

Ao se examinar a retrospectiva histórica das eleições, em todos os tempos, verifica-se que normalmente as reeleições favorecem mais de 80% das candidaturas. Sempre foi assim. E não seria agora que iria mudar.

Se assistirmos o horário gratuito da propaganda eleitoral no rádio e na TV, verificaremos que tudo está igualzinho às eleições anteriores.

Os mesmos “papos”, as mesmas promessas, os mesmos propósitos, os mesmos “blás-blás-blás”, as mesmas mentiras e os mesmos “avais” dados pela Justiça Eleitoral para uma democracia absolutamente corrompida que ela gerencia e máscara. Quando assisto a TV, me dá um desespero e até dá vontade de vomitar. Não quero deixar essa herança de podridão política para minha descendência biológica e social. Isso porque a “mea culpa” bate forte na minha consciência acusando-a de não ter feito o suficiente para evitar a desgraça política das gerações futuras.

Mesmo considerando a provável vitória dos candidatos militares à Presidência da República, certamente as “mudanças” na política, oriundas da eleição de gente nova, terão repercussão quase “zero”. E desses 20% da “renovação”, qual será o participação de “militares”? Mínima, claro.

Trocando em miúdos, o “sacrifício” que farão os militares imaginando que poderiam competir nas urnas com o bando de canalhas que sempre mandou na política, e sabe enganar o povo como ninguém, será em vão. E o pior de tudo é que essa participação nas eleições significará o mesmo que dar o “aval” militar a uma democracia completamente degenerada.

Mesmo considerando a improvável hipótese de TODOS os militares optarem nas urnas por seus colegas de profissão nas eleições de 7 de outubro, o “peso” dessa população eleitoral ainda seria insignificante, a talvez se resumisse, no máximo, em 5% a 10%, do total dos novos eleitos.

Na verdade não podemos “misturar” o “fenômeno” Bolsonaro/Mourão, “lá em cima”, com a situação aqui na “planície”. A eventual reviravolta no plano da disputa presidencial certamente não teria nenhuma influência nas instâncias inferiores das disputas eleitorais, favorecendo os candidatos “fardados”.

Não podemos, portanto, ficar preocupados tão somente com a “eleição” de Bolsonaro/Mourão, porém com a “governabilidade” do país. A simples “purificação” do Poder Executivo Federal, com as novas cabeças, não teria qualquer influência nos Dois Outros Poderes (Legislativo e Judiciário).

Medidas absolutamente “excepcionais” teriam que ser tomadas já no primeiro dia de governo. E teriam que ser medidas de FORÇA, não as “democráticas” ou “jurídicas “com as quais a canalhada da política e do Poder Judiciário estão acostumados a lidar e sabem perfeitamente como “driblá-las”.

Sérgio Alves de Oliveira

Advogado, sociólogo,  pósgraduado em Sociologia PUC/RS, ex-advogado da antiga CRT, ex-advogado da Auxiliadora Predial S/A ex-Presidente da Fundação CRT e da Associação Gaúcha de Entidades Fechadas de Previdência Privada, Presidente do Partido da República Farroupilha PRF (sem registro).

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