Janaína Paschoal: "Falar em nome de coletivos é coisa de esquerdista, que instrumentaliza 'categorias' sem procuração"

Mesmo não tendo uma vida digital intensa, estou acompanhando esse duelo: Mulheres Contra Bolsonaro X Mulheres Com Bolsonaro.

Como todos sabem, eu defendo a liberdade de expressão e, por conseguinte, entendo que tanto as Mulheres Contra como as Mulheres Com têm direito a se manifestar. Não podemos garantir fala apenas a quem fala o que nos agrada.

Em virtude de eu ter declarado voto em Bolsonaro e de entender que ele, neste momento, é a melhor opção para o país, muitas pessoas, muito bem intencionadas, têm me convidado a gravar vídeos e assumir uma espécie de liderança das Mulheres Com Bolsonaro.

Fico muito lisonjeada, mas não assumirei tal liderança. Com certeza, há colegas competentes para tanto. Para que não haja mal entendidos, sinto-me na obrigação de explicar minhas razões.

Eu fico muito incomodada com discursos feitos por categorias: Homens, Mulheres, Negros, Indígenas, Brancos, Homossexuais, Heterossexuais... Magistrados, Advogados, Professores.... Esse verdadeiro sindicalismo que tomou conta do país me irrita profundamente.

Eu não estou apoiando Bolsonaro por ser mulher. Fosse homem, apoiaria da mesma forma. Além de esses discursos por coletivos (Coletivo Mulher, Coletivo Negro, Coletivo X) serem empobrecedores, especificamente no que tange às mulheres depreciam.

Posso estar exagerando, mas enxergo essa coisa de Mulheres Com X Mulheres Contra como uma limitação das Mulheres às pautas femininas.

Durante o período em que entabulamos as tratativas acerca de eu ser candidata à vice-presidência na chapa de Bolsonaro, alguns jornalistas me perguntavam o que nós havíamos conversado especificamente no que tange às questões das mulheres. Confesso, essa pergunta me incomodava!

Bolsonaro e eu conversamos sobre diminuição (ou não) da idade penal, sobre manutenção (ou não) da política de cotas, sobre as funções do vice-presidente, sobre o papel do STF, sobre mudanças no ensino, sobre o perfil do ministro da saúde, dentre muitos outros temas.

Por que ninguém perguntou aos potenciais vices de Bolsonaro (Senador Magno, General Heleno, Príncipe e General Mourão) quais políticas eles debateram para melhorar a situação dos homens? Percebem?

Desculpem, eu não vou cair nessa cilada. Eu vou discutir ideias, vou discutir propostas, vou me manifestar sobre temas que interessam aos brasileiros, independentemente de serem homens, mulheres, homo, hetero, trans, negros, brancos, etc. etc. etc.

Eu respeito quem pensa diferente, mas eu mesma entendo que essa coisa de Mulheres Contra e Mulheres Com é uma grande xaropada. Acho ridículo!

Quero ser vista como uma professora de Direito e uma advogada apta a tratar de todos os assuntos, como são vistos os meus colegas de profissão.

Quem quiser ouvir minha opinião, que pergunte especificamente sobre temas. Não vou entrar em movimentos de manada, por mais interessante que seja, sob o ponto de vista eleitoral.

Posso estar sendo grosseira, mas a verdade liberta! Simples assim.

Aliás, talvez eu tenha gostado de Bolsonaro porque, diferentemente de muitos que se dizem não machistas, ele me tratou de igual para igual. Éramos dois brasileiros, que amam o país, discutindo o que seria melhor para a nação. Nada além disso!

Faço esse esclarecimento público para que compreendam que, ao me negar a gravar vídeos convocando as mulheres, não estou retirando meu apoio a Bolsonaro. Estou sendo coerente com o que penso e, a bem da verdade, com o que ele pensa. Não gostamos de divisões.

Que cada homem e cada mulher reflita e decida qual a melhor opção para o Brasil. Eu já fiz minha reflexão, não vou ficar induzindo ninguém! Falar em nome de coletivos é coisa de esquerdista, que instrumentaliza "categorias" sem procuração.

Reitero meu apoio a Bolsonaro. Reitero minha tristeza diante do atentado por ele sofrido. Quero que ele seja eleito no primeiro turno, mas, na busca dessa justa eleição, não vou me render à histeria coletiva. Desculpem. Quero homens e mulheres de mentes livres.

(Texto de Janaína Paschoal. Advogada)

da Redação

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