A soltura dos estupradores do Piauí e o silêncio sepulcral das mulheres do #EleNão

Na noite de 27 de maio de 2015, em Castelo do Piauí, quatro meninas, uma de 15, outra de 16, duas de 17 anos, foram levadas à beira de um penhasco afastado da cidade, amarradas, espancadas (olhos furados, afundamento de crânio, pele desfigurada, agressões de toda ordem) e estupradas, por cinco homens, todos com passagens pela polícia por outros crimes. Detalhe: quatro deles não tinham completado 18 anos.

Após as agressões e os estupros coletivos, elas foram arremessadas do penhasco, numa altura de 10 metros. Uma delas morreria dias depois. As que sobreviveram tiveram suas vidas marcadas para sempre pelo que de pior a crueldade humana pode produzir.

No último domingo, dia 22 de setembro de 2018, três dos adolescentes foram liberados, pois a lei obriga a libertá-los, sem ficha criminal. Estão livres, leves, soltos.

Ouvi falar em movimento de mulheres contra um candidato aí. Não ouvi falar em movimento de mulheres para protestar contra a impunidade absurda dos agressores dessas quatro adolescentes.

Em países mais "atrasados em civilização", como Estados Unidos, Alemanha e Suíça, esses autores de crimes consecutivos e múltiplos de estupro, lesões corporais e homicídio provavelmente passariam o resto da vida na cadeia, quando nada por terem se provado inaptos para o convívio social e por se mostrarem grave perigo, especialmente às mulheres. Nos Estados Unidos, seriam condenados à pena capital.

O tal movimento de mulheres contra o candidato creio deplorar tal candidato por ele se destacar pela proposta de endurecer em muito a vida de desgraçados como esses agressores de mulheres, com diversas medidas, entre as quais o fim da menoridade penal e da progressão de pena em casos como esse.

Decerto o tal movimento de mulheres está com medo de que a atual legislação de execução penal mude, de que os "pobrezinhos" estupradores, se tiverem menos de 18, deixem de ficar presos por apenas três anos; se tiverem mais de 18, pouco mais de um ano, devido à progressão de pena. Isso se antes não aparecer um juiz de instrução e mandar o estuprador "vítima da sociedade" para casa no mesmo dia de eventual (e rara, a maior parte dos crimes não tem autor identificado) prisão.

Eu sou homem. Sou esposo e pai de uma filha. Eu abomino o estupro, a crueldade. Abomino especialmente a liberdade de gente que estraga mais do que uma vida, arruína uma família toda e apavora todas as mulheres por andarem soltos por aí.

E você, mulher, acha que o candidato que pensa como eu nesse ponto (penso diferente dele em muitos outros pontos, não sou eleitor dele nem seu apoiador no primeiro turno) é inimigo das mulheres?

Aurélio Schommer

Membro do Conselho Curador na Fundação Cultural do Estado da Bahia - Funceb e Membro Titular no Conselho Estadual de Cultura da Bahia.

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