Na política é proibido falar a verdade

A tese que vou defender é que ninguém sobrevive na política brasileira falando ou escrevendo a verdade, bem como apontando as suas deficiências morais e culturais, oriundas, na maior parte, da vontade coletiva e dos costumes às vezes corrompidos do próprio povo. Por isso tem alguma razão de ser a afirmação do filósofo francês “Joseph de Maistre”, que “cada povo tem o governo que merece”.

Uma certa mídia tem “caído de pau” com bastante frequência em cima do General Hamilton Mourão, candidato a vice-Presidente da República, na chapa encabeçada por Jair Bolsonaro, por algumas verdades irrefutáveis que o candidato anda dizendo na sua campanha eleitoral, e que os brasileiros deveriam ouvir com atenção e meditar um pouco sobre elas.

Ora, qualquer antropólogo ou estudioso da realidade brasileira jamais poderia omitir uma característica marcante do “eu” brasileiro, e que contamina talvez a maior parte do seu povo, consistente na dependência que tem pelo ASSISTENCIALISMO “DE ESTADO”, desmedido, ou seja, da exigência que os “assistidos” fazem no sentido de que o Estado supra todas as suas necessidades, independentemente do mérito ou participação de cada um para recebê-las.
O pedagogo Paulo Freire (Pedagogia do Oprimido, etc.), talvez tenha sido um dos maiores “gurus” da esquerda brasileira, principalmente do PT, especialmente nos seus primeiros passos, no seu “jardim-da-infância”, como organização partidária.

Mas enquanto o citado pedagogo sempre combateu com veemência o ASSISTENCIALISMO, mais que qualquer outra coisa, por achar que essa postura de dependência “não realizava na plenitude o ser humano”, tornando-o “dependente”, o partido que se inspirou em grande parte nas suas ideias, fez exatamente o contrário durante todo o tempo em que “foi” Governo. Sem qualquer preocupação em que fossem geradas novas riquezas pelo aumento da produção econômica, o PT passou a distribuir assistencialismo desmedido por todos os cantos, “gastando” muito mais do que poderia.

Somado à corrupção generalizada na área política e governamental, o excesso de assistencialismo colocou o país num estado pré-falimentar, praticamente “quebrado”.

Devido à longa vivência que teve na política como Deputado Federal, pelo Rio de Janeiro, Bolsonaro certamente jamais conseguiria “escapar” inteiramente de certos vícios culturais que impregnavam também a “sua” Câmara Federal. Seria absolutamente impossível sair ileso dessa convivência perniciosa. Como militar, o “Capitão” Bolsonaro não estaria sujeito à “má influência” da política. Mas como político, sim. E muito.

E certamente é esse o principal motivo dos desentendimentos “domésticos” entre a fala de Mourão, que é militar “puro sangue”, e o discurso de Bolsonaro, que foi “aculturado” na política, e hoje não é mais militar, e sim político.

É por isso que Mourão, apesar de falar muitas verdades, “politicamente” (numa política totalmente viciada) está no caminho errado ao dizê-las, enquanto Bolsonaro pode estar moralmente errado, mas absolutamente certo, como político, ao omitir a verdade, prometendo inclusive manter certos benefícios absurdos que foram assegurados pelo petismo assistencialista, porque bem sabe que perderia os votos dos eleitores beneficiários, portanto a própria eleição, se dissesse o contrário. Em política, portanto, é proibido falar a verdade. Bolsonaro sabe disso. Mourão, “ainda” não.
Entre o estilo Bolsonaro e Mourão, eu ficaria com o segundo, apesar da plena consciência que não se elegeria para nada, nem para suplente de Conselheiro Fiscal de Condomínio Residencial, se como candidato adotasse esse tipo de discurso: o da verdade. Seria a política, por conseguinte, a “ciência e arte de mentir”?

Mas o bom senso e a realidade indicam que o melhor caminho para a “chapa” Bolsonaro/Mourão, seria adotar o discurso de Bolsonaro num primeiro momento, durante a campanha até as eleições, e o discurso do General Mourão, depois da “posse”, se for o caso, respectivamente, na Presidência e vice-Presidência da República.

Só assim o Brasil teria alguma chance de ser “consertado” e sair do caos em que a esquerda irresponsável, corrupta e criminosa o meteu.

Sérgio Alves de Oliveira

Advogado, sociólogo,  pósgraduado em Sociologia PUC/RS, ex-advogado da antiga CRT, ex-advogado da Auxiliadora Predial S/A ex-Presidente da Fundação CRT e da Associação Gaúcha de Entidades Fechadas de Previdência Privada, Presidente do Partido da República Farroupilha PRF (sem registro).

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