Maniqueísmo X Integração - a quem interessam os efeitos do maniqueísmo na sociedade?

O céu e o inferno

Maniqueísmo

(ma.ni.que.ís.mo)

sm.

1. Fil. Doutrina do persa Mani ou Manes (séc. III) segundo a qual o mundo foi criado e é dominado por dois princípios antagônicos, o bem absoluto, que é representado por Deus, e o mal absoluto, representado pelo Diabo

2. Forma de julgamento ou de avaliação que reduz uma questão a dois aspectos opostos e incompatíveis

[F.: maniqueu + -ismo.]

Fonte: Dicionário Aulete Digital em 16/09/2018, às 15h45min.

-

A dualidade está em tudo no universo em que vivemos.

Se olhar direitinho, se de um lado temos o som, de outro o silêncio; para a luz há a sombra; para o bem, o mal; em contraponto ao rico há o pobre; equilibrando-se com o preto, o branco; em relação a tudo tem longe e perto, alto e baixo... a lista é infinita e garanto que para cada coisa que você perceber, há um contraponto equivalente.

Observadores atentos da sociedade mal informada, há muitos séculos, criaram um recurso teórico, um conceito que, implantado na mente das pessoas como ‘verdade’, resultaria na dispersão da atenção da massa que se pretendia manipular, para um labirinto ilusório; cultuando-o em todas as formas possíveis e imagináveis de transmissão de conhecimento: ensino, entretenimento pra todas as idades, sermões, discursos, em tudo havia a disputa entre “O Bem” e “O Mal”; em relação de embate sempre excludente.

Esse labirinto nos desvia de nós mesmos e nos afasta da realidade.

O homem, via de regra, é de uma previsibilidade incrível. Naturalmente e quase sempre, quando tem de declarar sua natureza, declara-se ‘bom’, mesmo que isso contraste duramente com sua postura.

Oras, em tudo há ‘os bons’ e ‘os maus’, independentemente do que uns e outros façam de fato, ‘nós’ seremos sempre ‘os bons’, e tudo que não é ‘nós’, deve ser negado, combatido, excluído e apedrejado. Afinal, são ‘eles’ diferentes de nós, que somos ‘bons’.

“Quem não é bom não merece nada além de cacete”.

Aqui me lembro de Maria Madalena em meio à multidão bravia. Havia um cara consciente ali. E botou diante de todos, na iminência do linchamento, uma chave que todos ‘os bons’ se lembram, mas até hoje a maioria não sabe em que buraco enfiar:

“Aquele se estiver livre de pecado…”

Você, se lembra?

Essa passagem lhe diz algo ‘de bom’?

Hum… que bom.

Tom e Jerry, Coringa e Batman, O Hulk e o mundo cruel, Piu-Piu e o Frajola, são a versão atual (para minha geração) das ditas ferramentas culturais que servem à implantação convicção maniqueísta.

Quem nos manipula, a essa altura do campeonato, pouco importa. O que importa nesse momento é que temos um farto material de observação proporcionado pelo pleito no Brasil - nas nossas relações sociais e afetivas, seja em casa, no trabalho ou nas relações virtuais - que pode servir à reflexão acerca do que foi dito aqui.

O que tenho observado, como indivíduo, é que inclusive nas fontes mais estranhas e esdrúxulas segundo meus costumes, venho encontrando algo útil para me servir. Nem que seja um manancial de exemplos do que não se deve fazer, de como não se portar, e principalmente de como não agir. Sim, isso é bom!

Nós, embora cada qual no seu quadrado, compomos um rico mosaico. Somos unidade num padrão grandioso que ainda somos incapazes de perceber inteiro.

Em todo ser humano tem algo que me é útil ao crescimento. Deve haver para você também, em cada um de nós, algo que lhe sirva.

Nunca almejei ser compreendido nem aceito. Mas de um tempo para cá, sinto-me obrigado a compartilhar minhas impressões, por mais estranhas que sejam aos meus iguais aqui, onde vivo; na família que nasci e entre tanta gente que me é cara.

É consolador poder dizer algo, acreditando na utilidade disso, nem que seja só para mim.

Me desculpe qualquer inconveniente ou constrangimento.

João Henrique de Miranda Sá

Jornalista independente em Campo Grande - MS.

Siga-nos no Twitter!

Mais de João Henrique de Miranda Sá

Comentários