A bolsa de colostomia de Bolsonaro é para ser respeitada por todos, inclusive pela Folha de S.Paulo

Nesta quarta-feira (17) a Folha da São Paulo - sempre ela - publicou matéria a respeito da bolsa de colostomia que Jair Bolsonaro passou a usar por causa da facada que recebeu em Juiz de Fora.

Diz o jornal que, com a bolsa na altura da cintura, Bolsonaro adotou um novo figurino. As camisas sociais claras foram trocadas por camisetas e jaquetas esportivas, preferencialmente de cores escuras. E que essas opções são adotadas especialmente para os momentos em que o capital reformado do Exército tem atividade fora de sua casa, no Rio de Janeiro.

A matéria prossegue com considerações que não vamos repetir aqui.

Em suma: o referido jornal, sob o falso pretexto de "notícia", externou completa falta de respeito ao tratamento de uma vítima que recebeu uma facada para ser morta, mas que sobreviveu.

E com a agravante de ser a vítima o candidato que dispara na preferência do povo brasileiro para governar o país a partir de 1º de Janeiro de 2019.

E por causa disso, diz o jornal, Bolsonaro "adotou novo figurino", como se tratasse de um "pop star", de um "modelo", de um "artista". Ou de uma noiva imperial, que só no dia do casamento aparece frente à Igreja e os súditos admiram o vestido dela.

Saibam, a Folha e seus fiéis leitores, que a bolsa de colostomia de Jair Bolsonaro não precisa ser escondida, segundo a versão do jornal, ao publicar assunto que nada tem de jornalístico.

Moshe Dayan (1915-1981), político israelense e um dos principais arquitetos dos acordos de paz de Camp David, perdeu o todo o olho esquerdo no combate contra os franceses em 1941. E impossibilitado de implantar um olho de vidro, passou a viver com um tampão preto para cobrir o buraco que a falta do olho deixou.

E isso nunca foi explorado como notícia, nunca foi abordado como "estilo", "fashion", nem como "matéria" jornalística pela imprensa do mundo inteiro.
A bolsa de colostomia de Bolsonaro não tira votos, não afasta eleitores, não diminui a estima que seus correligionários têm pelo deputado. A bolsa de colostomia de Bolsonaro é a marca da bestialidade, da brutalidade humana que vitimou o candidato quando, em campanha presidencial em Juiz de Fora, foi esfaqueado covardemente, quase, quase, levando-o à morte.

A bolsa de colostomia de Jair Bolsonaro é sinal de vida. Se não é para ser exibida e ficar exposta, também não é para ficar escondida, encoberta, com este ou aquele disfarce. A bolsa é necessária para a sua cura completa. A bolsa é a marca externa, temporária, de uma dor interna, dele, Jair e de todos os seus familiares, amigos e eleitores, dor que jamais se apagará. E até de seus não eleitores, porque todos somos iguais e ninguém neste mundo é melhor do que o outro, ninguém é dono da verdade, ninguém vive para sempre e ninguém está a salvo de passar pela mesma situação de Jair Bolsonaro.

Não, a bolsa de colostomia de Jair Bolsonaro e de todas as outras pessoas que a utilizam não é para ficar escondida, como retrata a Folha. E nem é para causar, naqueles que a carregam colada ao corpo, o menor sentimento de diminuição, de vergonha, de inferioridade, para si próprio e perante o próximo.

A bolsa de colostomia é também a marca do progresso da Medicina e da competência dos médicos.
A bolsa de colostomia de Bolsonaro não é para ser notícia, nem matéria jornalística.

É para ser respeitada por todos.

Jorge Béja

Advogado no Rio de Janeiro e especialista em Responsabilidade Civil, Pública e Privada (UFRJ e Universidade de Paris, Sorbonne). Membro Efetivo do Instituto dos Advogados Brasileiros (IAB)

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