Latrina de dinheiro

I

Na República que agoniza,

Tomada pela propina,

Se mexe a matéria mole,

Se espalha a fedentina

E os maços de dinheiro

Escoam pela latrina.

II

Rico e pobre, quando “obram”,

Se igualam pelo nariz,

A mulher mais santa e pura

Faz igual à meretriz;

Se dinheiro fosse fezes,

Pobre vivia feliz.

III

Quando a Polícia chegou,

Na Operação Capitu,

Um chefe de gabinete

Se apertou feito um tatu

E arreou pelas calças

Uma chibata de angu.

IV

Teve até um deputado

Que estava acocorado,

Realizando um serviço

Daqueles bem demorado,

Nem deu tempo de limpar:

Quando viu, tava algemado.

V

Um laranja que guardava

O dinheiro no colchão,

Tentou correr com o dinheiro,

A grana caiu no chão

E nele tinha um bilhete

Que chamou muito atenção:

VI

– Se acharem esse pacote,

Soque-o dentro de um penico,

Ensope ele no xixi,

Deixe igual um “meninico”,

Dê descarga e depois diga

Que era cocô de rico.

MIGUEZIM DE PRINCESA

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