Bolsonaro não pode permitir que “carta branca” a Paulo Guedes ultrapasse os limites de seus compromissos com a população

Muitas críticas foram feitas nos últimos dias contra o Presidente eleito Jair Bolsonaro, em relação aos convites que fez, diretamente ou através de prepostos, para que certos nomes integrem o seu futuro Governo, a partir de 1º de janeiro.

Li com muita atenção uma delas, de autoria do escritor e jornalista Helder Caldeira, que levou por título “Bolsonaro e o risco da escolha de nomes ligados a Dilma Rousseff, ao PT e ao MDB”, onde foram questionados pelo autor muitos nomes que integraram os Governos do PT, inclusive a nível de Primeiro Escalão.

Apesar de concordar com o articulista, num primeiro momento achei que estaria havendo da parte dele um certo exagero.

Mas não houve qualquer exagero. Examinei melhor a questão. Para surpresa geral, efetivamente o Presidente Bolsonaro está entregando cargos importantes à “quadrilha” do PT , que (des)governou o Brasil de 2003 a 2016, mutilando-o MORAL, POLÍTICA, ECONÔMICA e SOCIALMENTE.

Seria esse gesto “generoso” meramente pagamento do preço pela “governabilidade”?

Não estaria muito “alto” esse preço que está sendo pago?

Será que a “compra” dessa gente seria tão importante assim?

Os princípios morais e éticos prometidos como norte do Governo na campanha eleitoral, não seriam muito superiores à esse tipo de “mercadoria”, ou à “compra” desse apoio?

Alguns convites não estão “fechando” muito bem. Um deles, por exemplo, é aquele feito a Joaquim Levy para comandar o BNDES, o qual inclusive integrou o Ministério da “defenestrada” Dilma Rousseff.
As expectativas não estariam sendo justamente direcionadas ao BNDES, onde teria ocorrido o maior foco de corrupção da “era” PT , perto do qual, todos os outros, somados, incluindo o fantástico “rombo” na Petrobrás, não teriam passado de “brinquedinho de criança”?

Ora, é evidente que no mínimo dentro do Primeiro Escalão de Governo, TODOS teriam que ser julgados culpados pela gigantesca corrupção que ocorreu ininterruptamente durante os 13 anos de gestão do PT.

Joaquim Levy foi um “deles”. Os crimes de corrupção, envolvendo praticamente todas as áreas dos Governos do PT, foram “sistêmicos”, gigantescos e absolutamente ininterruptos. Alguns chegam a garantir que os roubos contra o erário teriam ultrapassado o valor do PIB brasileiro, de cerca de R$ 6,5 trilhões.

Como poderia então, qualquer Ministro alegar “inocência”, ou dizer que não teria a mínima ideia das irregularidades que se passavam no Governo como um todo? Essa omissão não seria equiparada à cumplicidade? O que Vossa Excelência tem a dizer sobre isso, Senhor Joaquim Levy?

Portanto pode estar havendo “mil” outras razões para esse convite. Mas não há que falar num motivo e num convite LÓGICO, pautado pela honestidade política.

Como um dos integrantes de uma determinada “quadrilha” teria a isenção necessária para investigar e apontar irregularidades ou crimes de outros integrantes da mesma “quadrilha”?

Um membro da “quadrilha” investigando a própria “quadrilha”?

Não seria provável que uma investigação desse tipo, caso realizada, acabasse “respingando” no investigador?

Como cultivar alguma esperança que esse cidadão convidado não “abafe” tudo o que se passou no BNDES, protegendo assim os seus antigos “parceiros”?

Sérgio Alves de Oliveira

Advogado, sociólogo,  pósgraduado em Sociologia PUC/RS, ex-advogado da antiga CRT, ex-advogado da Auxiliadora Predial S/A ex-Presidente da Fundação CRT e da Associação Gaúcha de Entidades Fechadas de Previdência Privada, Presidente do Partido da República Farroupilha PRF (sem registro).

Mais de Sérgio Alves de Oliveira

Comentários