Brasil “Pátria Educadora” ainda é só um sonho

ANA/2014. É assustador

Lamentavelmente a teoria não se realiza na prática, há tempos. A preocupação é minha e, certamente, de outros milhões de brasileiros.

O Governo que louvou o início do seu segundo mandato sob o lema "Brasil Pátria Educadora" vem revelando aos poucos que o mote não passou de pura e mentirosa publicidade. Para além das atitudes ímprobas da mandatária maior e seus sectários - que se guia desavergonhadamente pela "deseducação" entre outras impropriedades - o MEC divulgou no dia 17 p.p., os resultados do ANA/2014 (Avaliação Nacional de Alfabetização); é assustador! 57,07% dos estudantes do 3º ano do ensino fundamental apresentaram resultado inadequado em matemática, 34,34% em escrita e 22,07% em leitura, em resumo. Diz Janine:

"Não vamos trabalhar com sanções. Vamos continuar avaliando os instrumentos e realizando intervenções pedagógicas para auxiliar escolas onde há os piores resultados".

Para não ficar só nisso, os gastos com educação recuaram em centenas de municípios brasileiros e a tendência é piorar.

O orçamento manco - para não dizer ilegal, a meu ver - enviado ao congresso prevê cortes de 1 bilhão - podendo chegar a 2 bi - para a Educação e 1,2 bilhão para a Saúde (doente, faminto e triste não aprende). Se já não fosse assustador, convém lembrar que antes do orçamento 2016 a presidente Dilma já havia feito um corte de 9,5 bilhões de Reais no orçamento 2015 na Pasta da Educação. Não devemos esquecer que outros cortes em programas como Ciência sem Fronteiras, Enem e Pronatec - além dos problemas do FIES - tiram o país totalmente fora do eixo do lema enaltecido. E há, ainda, outros tantos problemas pendentes imbricadas com a questão das políticas de educação e afins, no Brasil.

Sugiro que leiam o artigo do Professor Landes Pereira (aqui)

Educação? Talvez para os filhos dos juízes e magistrados, especialmente, os do Rio de Janeiro.

O Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro encaminhou para a Assembleia Legislativa projeto de lei que prevê uma verba sob a rubrica de auxílio-educação de cerca de R$ 7,2mil para custeio de escola particular, uniforme e material para filhos de juízes e desembargadores. Eis o nosso país, Pátria Educadora. Eis aí quem não se dispõe a qualquer sacrifício em prol do país e da sociedade.

Enquanto o Governo Central tenta jogar novamente nas costas do povo a conta de suas estultices pretéritas e presentes - para não dizer o pior - em forma de possíveis novos tributos, a gente já vai se acostumando com a realidade que se aproxima, qual seja, amargar um novo longo período de sacrifícios, que se fosse para seguir crescendo causaria honra, mas, em verdade, servirão tão somente para recuperar o que foi desaparecido e consumido pela corrupção; mal antigo e sobejamente manejado por tantos governos há tantos anos.

Quem ainda não se entregou aos reis é por não se aperceber de que vivemos, desde sempre, uma cleptocracia e seguem cultivando esperança; os mais atentos, revolta; enquanto que os que se alinham ao ideário são velozes e furiosos na defesa do que chamam "legitimidade" e invocam a mentira da vontade do golpe, como quem quer tornar túrgida a sociedade, incitando cidadão contra cidadão.

Para encerrar: "O encanto do conhecimento seria muito pequeno se, em seu caminho, não tivesse de vencer tanto pudor". (Nietzsche, F.)

JM Almeida


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JM Almeida

João Maurino Sernaglia  Almeida Filho. Bacharel em Ciências Econômicas e Ciências Jurídicas. Professor liberal de Matemática Financeira Aplicada. Investigador da Filosofia. Investigador Criticista/Racionalista

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