A mancha na vida pregressa de Mandetta é uma tal de “Gisa”

Muito tem se falado de Luiz Henrique Mandetta, o único ministro escolhido pelo presidente eleito Jair Bolsonaro que destoa da equipe. Porém, ao cerne da questão, às questões que realmente mancham a sua biografia, até o momento não foram mencionadas.

Mandetta surgiu na política como secretário de saúde de Campo Grande (MS) na gestão do ex-prefeito Nelsinho Trad, seu primo-irmão. O pai de Mandetta é irmão da mãe de Nelsinho, este eleito senador.

Os primos foram criados juntos, moraram juntos e estudaram Medicina na Gama Filho, no Rio de Janeiro. Sempre tiveram uma ligação muito forte.

Um outro primo, Marquinhos Trad, irmão de Nelsinho, fez direito na mesma época, também no Rio de Janeiro. É o atual prefeito de Campo Grande.

E um outro primo, Fábio Trad, também advogado, ex-presidente da OAB-MS, irmão de Nelsinho e Marquinhos, foi eleito deputado federal.

Nelsinho e Mandetta protagonizaram na saúde de Campo Grande o escândalo que ficou conhecido como “Gisa”.

O Escândalo Gisa teria causado prejuízos de R$ 8,1 milhões aos cofres públicos. O programa nunca funcionou e o Ministério da Saúde obrigou a prefeitura da Capital a devolver o dinheiro gasto com o sistema, o que só ocorreu na gestão de Alcides Bernal, sucessor de Nelsinho.

Mandetta é acusado pelos crimes de fraudes em licitações e tráfico de influência na contratação do Consórcio Telemídia & Technology International Comércio e Serviços de Tecnologia.

“As ilegalidades atingiram a licitação já na elaboração da seleção. A empresa vencedora (Telemídia) teve acesso às regras da licitação – e se adaptou a elas – antes do edital ser publicado, tanto que o orçamento apresentado foi exatamente igual ao dinheiro disponível pela Prefeitura”, acusaram os procuradores da República em ação civil por improbidade administrativa, que pede a devolução de R$ 16,2 milhões e tramita em segredo na Justiça Federal de Campo Grande.
Além de restringir a concorrência, o ex-deputado é investigado porque a Telemídia apresentou documentos falsos para dar base legal à assinatura do contrato.

Ação por improbidade administrativa tramita em sigilo na Justiça Federal de Campo Grande.

O senador eleito ainda tem uma série de outras pendengas judiciais. Assim paira na sociedade de MS uma grande estranheza por ter ele conseguido registrar sua candidatura, ter permanecido solto e, pior, ter sido eleito.

Seu ex-parceiro, André Puccinelli, ex-governador do estado, está preso. Um outro ex-parceiro, Edson Girotto, ex-deputado federal, também está preso. Seu ex-cunhado e braço financeiro, empresário João Amorim, também está preso.

Nelsinho está solto, é senador e tem um primo-IRMÃO, ministro da saúde. É preocupante.

*Com informações colhidas no Blog O Jacaré.

Lívia Martins

Articulista e repórter
livia@jornaldacidadeonline.com.br

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