O Olavo tem razão... e agora também tem poder

O professor e filósofo Olavo de Carvalho, rotulado como "o guru da direita" por parte da mídia tradicional, recebeu mais atenção nos últimos dois meses do que recebeu nas últimas quatro décadas. Com a eleição de Jair Bolsonaro, o mainstream midiático não pôde mais ignorá-lo e detratá-lo, como foi ordem nas redações jornalísticas pelo menos desde a sua mudança para os Estado Unidos, em 2005.

É verdade que o nome do professor "pipocava" em alguns veículos desde as manifestações de 2013, quando, para espanto de boa parte das elites editoriais, cartazes com os dizeres "O Olavo tem razão" passaram a ser comuns e ainda mais nas manifestações pró-impeachment, em 2016. Porém, vislumbrar que Olavo teria papel fundamental na indicação de dois ministros do próximo governo era algo que sequer passava à mente até mesmo do mais "fiel devoto" do intelectual autodidata.

Entretanto, o que ainda não foi registrado, é que as indicações de Ricardo Vélez Rodrígues e Ernesto Araújo por parte de Olavo são apenas parte da história. As ideias defendidas por Olavo de Carvalho terão espaço ainda em outras esferas do novo governo. O secretário de assuntos internacionais do PSL, Filipe G. Martins, por exemplo, foi aluno do Seminário de Filosofia organizado pelo professor.

Alguns questionam: como Olavo obteve tanto sucesso e tão repentinamente? Mantendo-se fiel ao que pregava e ensinava.

Olavo é crítico do regime militar na medida em que alega que os militares negligenciaram a revolução cultural perpetrada pela esquerda nas universidades. Segundo Olavo, os "milicos" acreditavam que, detendo o poder do Estado, a ameaça comunista estaria neutralizada, o que acabou deixando o caminho aberto para a revolução cultural se dar sem freios nos círculos não oficiais, resultando na total degradação das instituições brasileiras de ensino superior que vivenciamos hoje, especialmente na área de ciências humanas.

Assim, Olavo passou literalmente décadas "pregando no deserto", lutando contra a hegemonia cultural de esquerda promovida não desde a era PT, nem de FHC, nem desde a redemocratização, mas desde o regime militar mesmo. Olavo entendeu desde cedo que a estratégia do comunista Antonio Gramsci não era um simples devaneio ideológico, mas que este havia entendido de fato a natureza da base de sustentação de uma civilização, e que ele estava certo sobre como essas bases eram construídas, apesar de pregar fins nefastos. Olavo concentrou-se então em lutar no mesmo campo, formando uma série de intelectuais que, em parte, hoje se tornaram formadores de opinião e podem mesmo ter papel direto no governo.

Ironicamente, PSDB e PT cometeram erros muito similares aos militares após a tomada do poder. O conforto dos palácios oficiais e o sucesso da revolução perpetrada através de manipulações, do revisionismo histórico, do sufocamento e envergonhamento constantes da oposição, deixaram os comunistas e sociais democratas míopes. Enquanto a batalha pelo poder e pelas mentes das pessoas através das narrativas oficiais era tida como vencida, a oposição se reorganizava, estudava e se preparava intelectualmente "na surdina". E qual era uma das vozes perseguidas, ridicularizadas, desacreditadas e delegadas ao "esquecimento" atuando nesse "background"? Precisamente a de Olavo de Carvalho.

Dessa forma, a influência de Olavo hoje se estende a veículos de mídia e às esferas dos governos estaduais. O jornalista Felipe Moura Brasil, da rádio Joven Pan e do site O Antagonista, por exemplo, também foi aluno do professor. O mesmo acontece com a deputada estadual eleita em SC, Ana Caroline Campagnolo.

Portanto, o sucesso não foi nada repentino. Ele foi ironicamente obtido após o entendimento e aplicação dos conceitos do comunista Antonio Gramsci por Olavo, porém com os fins inversos. Olavo entendeu a guerra cultural. Entendeu o que era preciso fazer. Entendeu que a guerra precisava ser vencida antes na cultura e na formação dos intelectos que mais tarde cristalizariam os usos e os costumes em leis, e não o contrário. A esquerda, por sua vez, infelizmente, continuou empregando as mesmas táticas para seus fins inconfessáveis, vide a força obtida por loucuras como a ideologia de gênero. Porém, a mesma esquerda esqueceu-se de ponderar que as mesmas táticas poderiam ser utilizadas pela oposição e não foi capaz de perceber suas articulações silenciosas até que fosse tarde demais.

Alguns chamam esse novo cenário de polarizado. Falso. O novo cenário é simplesmente mais igualitário. Enquanto por décadas fomos obrigados a engolir as ladainhas da esquerda sem sequer ouvir o outro lado, finalmente há um embate de ideias no campo cultural, e não a simples a reprodução de slogans socialistas infantis ad infinitum. O alarido se dá precisamente pelo desconforto vivenciado por aqueles acostumados à concordância acrítica no debate público.

A Nova Era e a Revolução Cultural agora já não correm soltas e Olavo é, felizmente, um dos grandes responsáveis por isso.

Matheus Dal'Pizzol

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