O afeto da Folha com Pedrinho Matador e a ressocialização caprichada

Pedrinho Matador matou aproximadamente 100 pessoas. Agora, em liberdade, é emoldurado com muito carinho pela Folha, que lhe retrata não somente ser/estar uma boa pessoa, dedicando-lhe meia página, como também nos diz que as pessoas pedem fotos com ele quando o reconhecem, sendo agora um comentarista (de crimes) de sucesso no youtube e que ainda terá lançado um documentário sobre sua vida.

Quem ler a matéria perceberá o afeto jornalístico com que foi tratado.

Mas, como vai na contramão de tudo quanto publica (prisão faliu, não ressocializa, superlotação carcerária), esqueceu-se o jornal de dar o devido e mais importante enfoque: eis um caso que a prisão não apenas cumpriu seu papel, como provou ser super-ressocializadora.

Deve, aliás, ser estudada esta nova função da pena, a “ressocialização caprichada”, que é quando o cidadão após décadas de cárcere é posto em liberdade e ainda alçado ao estrelato, parecendo ter saído muito melhor do que entrou.

Só temo que, com todo esse impulso à fama, mais gente não se sinta tentado a ingressar no infame mundo criminoso.

Em um país campeão mundial de crimes, não faltarão artistas!

P.S. Boa sorte ao Pedrinho. No embalo do sucesso, poderiam aproveitar e fazer um documentário sobre as vítimas.

(Texto de Edilson Mougenot Bonfim. Jurista. Procurador de Justiça do Ministério Público de Estado de São Paulo)

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