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Crime e virtude: a esquerda e seu “amor” pelo criminoso e sua rejeição ao virtuoso

Em um artigo de 1995 (“Mascots of the anointed”), Thomas Sowell cunhou uma expressão que me parece notavelmente apropriada para que compreendamos a obsessão da esquerda por certos grupos. Sowell denominava os pertencentes a tais grupos de “mascotes dos ungidos”. Ele começa seu artigo se referindo a uma das “mascotes” que nesse momento ganha ampla notoriedade (e, mesmo, elogios) em nossa mídia: o criminoso.

Na verdade, a esquerda (sobretudo na mídia, no meio artístico e nas Universidades) sequestra para seu uso todo grupo que, de alguma maneira, sirva como instrumento de corrupção dos valores assentados pela civilização ocidental. Dado seu projeto corruptor, a esquerda (ainda hegemônica em nossas universidades, meio artístico e mídia) sequestra todos os que agem (por infelicidade, acidente, ou, mesmo, intencionalidade e maldade) contra a sociedade, seus valores e suas instituições.

Todos o que rejeitam os valores fundamentais da sociedade são cooptados pela esquerda: toxicômanos, pervertidos, vagabundos, criminosos os mais diversos (corruptos – como nosso ex-presidente e atual presidiário, um ícone da corrupção ainda enaltecido pela esquerda desde nossas Universidades, meio artístico e mídia -, estupradores, assassinos, assaltantes, etc).

Sua mais recente “mascote” é o novo ícone pop Pedrinho ‘matador’, o qual fez jus a esse “título” em virtude de ter assassinado, declaradamente, em torno de 100 pessoas.

No mesmo Youtube que perseguiu canais conservadores, liberais e cristãos, ele ganhou espaço e faz sucesso como comentarista de crimes. Entrevistas, matérias, etc, tratam-no como uma espécie de modelo, alguém que deve ser simplesmente “compreendido” e, claro, aceito. Em algumas abordagens seus atos são praticamente justificados, bem como ele é apresentado, eventualmente (como não poderia faltar), como uma “vítima”. As descrições, aliás, oscilam entre a sua exposição como “vítima” e sua exibição como “astro”, como o revelam incontáveis fotos que o enquadram como uma espécie de modelo macabro (que terá, inclusive, um documentário).

Como era de se esperar, coisa alguma tem sido dita sobre as aproximadamente 100 pessoas assassinadas por ele e sobre as centenas de pessoas indiretamente atingidas (familiares e amigos das vítimas, por exemplo).

Pedrinho ‘matador’ é a representação de todos os criminosos sequestrados pela esquerda e adotados como “mascotes” suas.

Outro caso paradigmático do que estou falando é o da famosa defesa, feita pela deputada Maria do Rosário, do estuprador e assassino “champinha”, a qual gerou a conhecida discussão entre ela e o então deputado Jair Bolsonaro, uma discussão que a mídia distorceu para denegrir (felizmente sem sucesso) a imagem de Bolsonaro.

Assim, a esquerda adota o criminoso, seja o vitimizando, seja o elogiando. É como se ele não fosse um indivíduo capaz de agir livremente. Consequentemente, ele não pode ser responsabilizado pelas suas ações e decisões.

Não apenas isso, de acordo com a esquerda suas ações costumam ser causadas pela sociedade (claro, pela sociedade ocidental liberal e cristã), de tal forma que a responsabilidade acaba por recair, segundo eles, sobre a sociedade mesma. Cabe a ela ser punida e se envergonhar pelo crime ocorrido (a vítima, afinal, nessa visão distorcida e doentia, é o criminoso).

Por isso recentemente testemunhamos uma pensadora [sic] de esquerda (uma contradição nos termos, aliás) afirmar, em rede de televisão, que o assaltante está justificado ao roubar. Por que? Ora, porque a sociedade capitalista impõe a ele o desejo de consumir e, se ele não consegue realizar esse desejo mediante a compra, cabe a ele, então, roubar. Ele não tem, segundo a esquerda em geral e a referida “pensadora” em particular, alternativa. Ele vive no mundo determinista definido pelo filósofo Peter Van Inwagen: aquele mundo em que existe apenas um único futuro, um único caminho a ser seguido.

Poderíamos ainda citar a tentativa de se responsabilizar Bolsonaro pela facada da qual foi vítima. Esses são apenas alguns exemplos que nos mostram como funciona a psicopatologia esquerdista.

Não obstante, essa é apenas uma parte da visão doentia da esquerda, uma visão que tem causado os mais diversos flagelos sociais que atualmente enfrentamos.

Dessa forma, se seguirmos nossa pesquisa pelos meios de comunicação verificaremos, a partir das notícias da semana, que a mesma mídia que exaltou Pedrinho ‘matador’, simultaneamente, espraiou as mais abjetas agressões à pastora Damares Alves, escolhida pelo presidente Bolsonaro para ocupar o cargo de ministra da mulher, família e direitos humanos.

Por exemplo, sordidamente retiraram de contexto uma frase em que ela falava sobre ter visto Jesus, visão ocorrida em um momento dramático em que ela, ainda criança, estava em vias de se suicidar em virtude de anos de abusos sexuais, e reproduziram essa mesma frase das mais diversas formas para ridicularizá-la desqualificá-la para o cargo de ministra.

No entanto, não apenas ela é uma defensora da vida e da dignidade da pessoa humana, mas foi ela mesma uma vítima real de todo o sofrimento causado por anos de abusos sexuais que lhe impediram, inclusive, de ter um filho biológico. Ainda assim, embora não podendo mais engravidar (dada a violência sexual sofrida por anos durante a infância), adotou uma menina indígena. Além disso, apesar de todos os abusos sofridos, encontrou (aos 13 anos) um sentido na vida, especialmente na defesa da vida daquelas pessoas mais frágeis: as crianças, tanto das nascidas quanto das ainda não nascidas. Não apenas isso, ela ainda se dedica a ajudar na prevenção do uso de drogas e na recuperação de toxicômanos, bem como em outras atividades preventivas contra o suicídio, a automutilação, etc.

Tudo isso pode ser encontrado em suas palestras, vídeos, etc. Mas será preciso paciência na busca dessas informações: ao pesquisar no Google será preciso avançar muitas páginas para se encontrar informações honestas. A quase totalidade das notícias tenta, de forma vil, denegri-la covardemente.

Afinal, ela representa aqueles valores que nossa mídia e nossas Universidades pretendem solapar. Ela defende a vida (o que inclui o ainda não nascido), a dignidade da pessoa humana, bem como é contrária à erotização das crianças, à ideologia de gênero, à glamorização do uso de drogas, etc, tão defendidas pela esquerda em sua guerra contra o mundo civilizado e humano.

E, se não bastasse isso, ainda é uma defensora da Família tradicional e de todos os valores e instituições que garantem nossa prosperidade individual e social. Noutros termos, defende a virtude em um mundo no qual a esquerda, sobretudo a partir das Universidades, do meio artístico e da mídia, promove o vício e tudo aquilo que tem conduzido nossa civilização à barbárie.

(Texto de Carlos Adriano Ferraz. Graduado em Filosofia pela Universidade Federal de Pelotas (UFPEL), Mestre em Filosofia pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), doutor em Filosofia pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS), com estágio doutoral na State University of New York (SUNY). Foi Professor Visitante na Universidade Harvard (2010). Atualmente é professor da Universidade Federal de Pelotas (UFPEL) na graduação e no Programa de Pós-Graduação em Filosofia, no qual orienta dissertações e teses com foco em ética, filosofia política e filosofia do direito).

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