A Nova Ordem Mundial começa na China?

A Nova Ordem Mundial pode – e deve – ser tratada como um fato. Apenas pessoas desinformadas tratam o assunto como “teoria da conspiração”. Já deixou de ser teoria da conspiração há muito tempo.

Atualmente, a China está cadastrando todos os cidadãos e empresas que operam no país em uma grande base de dados, que deverá estar pronta até 2020. Mas isso é apenas a etapa inicial de um projeto muito mais autoritário, abrangente e ambicioso. O governo pretende exigir total obediência dos cidadãos, através de um complexo sistema, pelo qual o estado irá monitorar e controlar todos os aspectos públicos e privados da vida de todos os habitantes. Para isso, será estabelecido um rígido sistema de recompensas e punições, cuja finalidade é condicionar todas as pessoas a expressar total obediência ao governo, em absolutamente todas as questões.

Cada cidadão terá um cadastro com pontuações. Quem não for extremamente leal ao governo, perderá pontos, e será punido de acordo com as “transgressões” cometidas.

As punições acarretarão em restrições, que irão de menores a severas, dependendo do nível de desobediência do cidadão, que – conforme sua pontuação for regredindo – ficará impedido de frequentar determinados lugares, de comprar ou adquirir determinados produtos, de viajar de metrô ou avião, entre muitas outras proibições.

Como o governo irá monitorar as redes sociais, estará apto a verificar todas as conexões familiares de todas as pessoas. Uma pontuação baixa afetará não apenas o indivíduo, mas também a sua família, o que fará com que uns pressionem os outros para obedecer ao governo em tudo, para evitarem sofrer as sanções e restrições que serão duramente impostas aos “transgressores”. O indivíduo pode até mesmo ser impedido de qualificar-se para determinados empregos.

Quem tiver pontuação muito baixa, definitivamente, não poderá qualificar-se para trabalho algum, e será, invariavelmente, convertido em um pobre e marginalizado pária social, o que poderá sujeita-lo a punições ainda mais severas e drásticas. Como, muito em breve, até mesmo o papel moeda será extinto, todas as transações financeiras serão feitas eletronicamente. E apenas indivíduos completamente obedientes ao governo poderão realizar tais transações livres de problemas e restrições de crédito. Assim, as pessoas se verão obrigadas a obedecer ao governo em tudo, para evitar as fatídicas consequências que serão aplicadas aos indivíduos considerados infratores.

Embora ainda esteja em seus estágios iniciais, o que vemos é a concepção do mais perverso, inflexível e autoritário sistema escravagista já elaborado.

A tecnologia está sendo aperfeiçoada, para que uma elite tirânica tenha controle absoluto sobre toda a sociedade humana. E como Simon Tisdall observou, isso nos afeta diretamente, pois o totalitarismo é um produto que a China pretende exportar, em larga escala. E já começou a fazer isso, com diligência. O seu primeiro cliente – pra variar – é a sua colônia latino-americana, a Venezuela.

Recentemente, o ditador venezuelano, Nicolás Maduro, afirmou que pretende implementar o cartão da pátria, que aparentemente substituiria a carteira de identidade convencional. O cartão da pátria conterá um chip – criado pela empresa chinesa de telecomunicações ZTE – que armazenará todos os dados e informações a respeito de cada cidadão, o que facilitará para a ditadura verificar como cada indivíduo está se comportando com relação às exigências e demandas do governo; indivíduos mais displicentes ou rebeldes, que não cumprem os requisitos, serão fáceis de identificar. Assim, o governo poderá intensificar o seu sistema de controle e repressão.

A Venezuela, no entanto, é apenas o primeiro cliente. Como a China está expandindo vorazmente a sua rede de networking pelo mundo – ultrapassando os Estados Unidos no número de parceiros políticos, militares e comerciais –, um sistema dessa natureza pode se alastrar pelo mundo com mais rapidez e dinamismo do que imaginamos. A China tem histórico de negociação com ditaduras e autocracias, e sistemas de controle social são um grande atrativo para regimes autoritários, que veem cada vez mais na tecnologia possibilidades fantásticas para a expansão do seu domínio sobre a população.

Agora, mais do que nunca, este é o momento para ficarmos de olho na China.

Com um governo liderado por um autocrata sagaz, implacável, astucioso, diligente e absolutamente impiedoso – Xi Jinping –, que acumula um poder político sem limites, sendo o indivíduo mais poderoso da China desde Mao, inclinado a tendências egocêntricas e narcisistas, com pretensões e aspirações de onipotência, onipresença e onisciência, o que vemos claramente é a demonstração máxima de prepotência e arrogância, em uma escala exponencialmente global: a tentativa do estado de subjugar e suprimir Deus – removendo-o arbitrariamente da equação espiritual –, com a funesta intenção de substituí-lo e tomar o seu lugar. Tudo isso para dirigir e controlar a população de forma plena e irrestrita, sem ter de competir com uma autoridade superior.

Gradativamente, um governo autoritário assume funções que não são de sua competência, e o poder executivo começa a exigir da sociedade reverência, subserviência e obediência em caráter incondicional e absoluto – o que é uma violação da ordem natural – e um exacerbado e tirânico abuso que excede completamente seus deveres e atribuições.

Agora é hora de reagir. A humanidade, a liberdade e a vida nunca enfrentaram inimigos tão mortíferos, agressivos e audaciosos.

(Texto de Wagner Hertzog)

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